O Papa na França, expectativas contrastantes

Foto: Vatican News

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16 Setembro 2026

Cresce dia a dia a expectativa pela visita do Papa à França (25 a 28 de setembro), onde alguns partidos políticos ou movimentos de opinião esperam receber dele "bênçãos" que, ao contrário, são absolutamente indesejadas por grupos e organizações de diferente orientação cultural.

O artigo é de Luigi Sandri, jornalista italiano, publicado em L'Adige, 14-09-2026. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

Conhecida há séculos como a "filha predileta da Igreja", a França de hoje defende como um legado indiscutível a laïcité (laicidade) nascida da Revolução de 1789 e, embora a maioria da população seja formalmente católica, o país não concede os privilégios típicos das concordatas como, por exemplo, sua "prima", a Igreja italiana. Nesse contexto, certas questões, antes inexistentes, ganham destaque na arena social e política; a principal delas é a questão dos migrantes. As eleições para um novo presidente da República, para suceder o atual ocupante do cargo, Emmanuel Macron, estão marcadas para 2027. Consequentemente, o mundo político aguarda com grande interesse as declarações do Pontífice sobre o tema, palavras que inevitavelmente serão vistas como favoráveis a um partido político e indigestas para o outro.

Embora as questões alemãs, em si, não têm nenhum impacto direto em Paris, é óbvio que o recente e retumbante sucesso da Alternative für Deutschland no estado da Saxônia-Anhalt provavelmente levará o Papa a proclamar um princípio, válido para todos os países: os católicos nunca poderiam votar em partidos xenofóbicos. Isso, inevitavelmente, vai desencadear uma forte reação negativa por parte daqueles cristãos que veem com bons olhos o que aconteceu naquele estado alemão.

No entanto, também "em casa", ou seja, na Igreja Católica francesa, o Pontífice terá que enfrentar uma situação complexa e dolorosa. Primeiramente, um episcopado que não está totalmente unânime quanto à forma "do que fazer" diante da pedofilia de uma parte, ainda que minoritária, do clero. Paira sobre essa questão um relatório da CIASE (Comissão Independente sobre Abuso Sexual na Igreja), publicado em outubro de 2021: segundo o documento, entre 1950 e 2020, 216.000 menores na França sofreram violências sexuais cometidas por padres e religiosos. Diante de um número tão assombroso, alguns analistas tentaram desacreditar o levantamento, classificando-o como não científico, enquanto outros estudiosos elogiaram a abrangente investigação da CIASE.

E os bispos? Atordoados com os números, expressaram opiniões divergentes, tentando influenciar o Papa Francisco e a Cúria Romana a endossar ou rejeitar a investigação. O então presidente da Conferência Episcopal Francesa, Éric de Moulins-Beaufort, bispo de Reims, defendeu o trabalho da CIASE, ao passo que o atual presidente, o cardeal-arcebispo Dom Jean-Marc Aveline, de Marselha, parece ter adotado uma postura mais cautelosa. O que o Papa dirá ao se reunir com o episcopado? Depois de Paris, ele voará para Lourdes, local onde, em 1858, segundo a vidente Bernadette Soubirous, cujo relato acabou sendo aceito como verdadeiro, a Virgem Maria teria lhe aparecido e confiado algumas mensagens. Dos Pireneus, ele retornará ao norte, para Metz, a fim de discursar na UNESCO, e depois seguirá de volta para Roma.

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