Mladić é reverenciado como um herói: organização exige reação das igrejas

Ratko Mladić e Patriarca Porfirije | Fotos: IMAGO/Anadolu Agency/picture alliance|Darko Vojinovic|Montagem: katholisch

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12 Setembro 2026

A Associação para os Povos Ameaçados (GfbV) está apelando à Conferência Episcopal Alemã (DBK), à Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) e ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI) para que respondam claramente à celebração pública, pela Igreja Ortodoxa Sérvia, do criminoso de guerra condenado Ratko Mladić. "Uma igreja pode rezar por qualquer pessoa falecida. No entanto, é algo completamente diferente homenagear publicamente um homem condenado por genocídio e pelos mais graves crimes de guerra como um defensor merecedor de seu povo", declararam Burkhard Gauly, presidente da GfbV, e Belma Zulčić, diretora da GfbV na Bósnia e Herzegovina, em uma carta aberta publicada na sexta-feira.

A informação é publicada por Katholisch, 11-09-2026.

Para os sobreviventes do genocídio de Srebrenica, as vítimas do cerco de Sarajevo que durou anos e milhares de outras vítimas da guerra na Bósnia e Herzegovina, uma comemoração religiosa como essa é particularmente dolorosa. "Quando as igrejas integram líderes militares ou atos de guerra às narrativas nacionais de vitimização e heroísmo, relegando a perspectiva das vítimas a um segundo plano, a religião se torna um instrumento de legitimação política e nacionalista", alertou a organização de direitos humanos.

Paralelos preocupantes

A ocasião foi o funeral de Mladić, em 7 de setembro, na capital sérvia, Belgrado. O chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia, Patriarca Porfirije (foto acima) , presidiu pessoalmente a cerimônia fúnebre e prestou homenagem a Mladić como soldado e comandante que lutou pela liberdade, defesa e sobrevivência de seu povo. O líder religioso também questionou as condenações de Mladić proferidas pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. Mladić havia sido condenado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Ele faleceu há aproximadamente duas semanas em um hospital penitenciário em Haia.

Entretanto, a organização vê "paralelos preocupantes" com o papel da Igreja Ortodoxa Russa em relação à guerra de agressão russa contra a Ucrânia. Embora os contextos históricos e políticos sejam diferentes, ambos os casos demonstram o perigo de a autoridade da Igreja ser associada a narrativas nacionalistas e usada para justificar genocídio, guerra e violência. Portanto, a organização apela ao Conselho Mundial de Igrejas para que aplique à Igreja Ortodoxa Sérvia os mesmos padrões que foram usados ​​para justificar a guerra russa contra a Ucrânia. Internacionalmente, o Ministério Público de Montenegro reagiu às declarações feitas por outro representante da Igreja Ortodoxa Sérvia a respeito de Mladić e abriu uma investigação.

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