Argentina. Protestos contra o Mercado Livre

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10 Setembro 2026

Durante o protesto em frente aos escritórios de Galperín, eles denunciaram os benefícios fiscais e as taxas de juros não regulamentadas de que a empresa desfrutava.

A informação é de Página/12, 10-09-2026.

Enquanto a Câmara dos Deputados debatia o encaminhamento de cerca de 50 projetos de lei sobre dívida familiar para comissão, organizações sociais ligadas ao Movimento Evita e ao Libres del Sur se mobilizaram em frente aos escritórios do Mercado Livre, no bairro de Saavedra, em Buenos Aires, para denunciar o sistema de empréstimos com juros exorbitantes que levou milhares de famílias à crise da dívida, principalmente com carteiras digitais como o Mercado Pago. “Mercado Pago. Você paga, eles ganham”, dizia a faixa à frente da manifestação.

Na calçada em frente aos escritórios da empresa de Marcos Galperín, uma enorme faixa amarela chamava a atenção dos transeuntes, alertando: "Cuidado: Área onde famílias são enganadas". O Movimento Evita, cujo líder nacional, Emilio Pérsico, participou da manifestação, denunciou a "cumplicidade do Estado com os negócios usurários" e destacou que a empresa fundada por Marcos Galperín "goza de benefícios fiscais enquanto cobra juros sem regulamentação monetária sobre bens de primeira necessidade". Os manifestantes também exibiram faixas e cartazes direcionados ao presidente Javier Milei e ao seu ministro da Economia, Luis Caputo.

“Não sei se você é um beneficiário de assistência social ou um agiota…” gritavam os manifestantes em frente aos escritórios da “Meli”. “Lucros recordes são sustentados por dívidas das famílias, que as empurram para a pobreza e situações desesperadoras porque não têm dinheiro para comprar comida”, denunciou o Movimento Evita.

O movimento Libres del Sur, que liderou a primeira marcha até os escritórios de Saavedra há duas semanas, também apontou a responsabilidade do Poder Executivo pela situação crítica de inadimplência que afeta milhares de cidadãos, atribuindo-a às "políticas de austeridade, pressão e endividamento que afetam trabalhadores e famílias". No dia anterior ao protesto, o movimento social organizou um boicote de 24 horas ao Mercado Livre, que denominaram "Primeiro Boicote Contra a Opressão Econômica e a Usura".

A este respeito, os representantes da Libres del Sur esclareceram que “não somos contra a empresa em si, nem contra a cobrança de juros sobre os empréstimos concedidos, mas queremos taxas razoáveis, em linha com a inflação anual deste ano”, sublinharam.

“Exigimos limites imediatos para as taxas das plataformas, o fim dos privilégios corporativos e um plano de auxílio urgente para a população”, declarou o Movimento Evita durante a mobilização em frente à sede do Mercado Livre.

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Os protestos dos movimentos sociais coincidem com uma crescente organização de grupos afetados pelas altas taxas das fintechs em espaços como “Estudantes Endividados”, “Devedores Organizados” e “Famílias Endividadas”. “Minha história com dívidas começou quando passei a fazer pagamentos mínimos consecutivos no meu cartão de crédito por muitos meses”, disse Fernando Moyano, 34, porta-voz dos Devedores Organizados e membro da Patria Grande, ao Página/12.

Entretanto, no Congresso, cerca de cinquenta projetos de lei estão em andamento, buscando aliviar a situação econômica das famílias endividadas, apesar da posição inicial do governo de Javier Milei de classificá-la como "um problema entre particulares".

Esta tarde, os blocos da oposição e os blocos provinciais aliados ao governo nacional conseguiram quórum para forçar uma sessão especial que define as datas para a análise dos projetos de lei nos dias 15, 22 e 29 de setembro, quando uma decisão deverá ser emitida para levar a iniciativa acordada à votação em plenário.

Diante da pressão pública, os blocos La Libertad Avanza, PRO e UCR apoiaram o encaminhamento às comissões, que foi aprovado com 249 votos a favor e 1 contra (de José Luis Garrido, de Santa Cruz). A conquista do partido governista foi a exclusão da Comissão de Orçamento da apreciação das iniciativas, descartando, assim, o uso de recursos públicos para o alívio da dívida.

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