Com a aprovação de Leão XIV, Roche fecha as portas aos ultratradicionalistas

Foto: Vatican Media

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11 Agosto 2026

Com a aprovação de Leão XIV, Roche fecha a porta para os ultratradicionalistas.

A reportagem é de Christopher Hale, jornalista, publicado pelo blog Letters from Leo, 05-08-2026.

Eis o artigo. 

Um jornal diário espanhol agora relata que o documento litúrgico do cardeal, apresentado em janeiro, foi encomendado e aprovado pelo próprio papa, sem "uma única vírgula" alterada. A direção de Roma é inequívoca.

O Cardeal Arthur Roche aparentemente resolveu um ano de especulações sobre o Papa Leão XIV e a Missa tradicional em latim em uma única frase.

"Não, o Papa Leão não vai mudar a Traditionis Custodes, e ele não vai voltar à Summorum Pontificum", disse o chefe da liturgia do Vaticano ao The Tablet, em entrevista publicada em 29 de julho.

A Traditionis Custodes é o decreto de 2021 do Papa Francisco que restringe a Missa tradicional em latim. A Summorum Pontificum, decisão de Bento XVI de 2007, havia dado aos padres ampla margem para celebrá-la.

Roche, que chefia o Dicastério para o Culto Divino desde maio de 2021, fundamentou a afirmação no próprio altar. A Missa tradicional em latim é "uma área muito complexa", disse ele, e uma área importante, "porque a Eucaristia é o sacramento da unidade: é o lugar onde todos nós deveríamos poder estar juntos para celebrar a Missa".

Quatro dias depois, o jornal espanhol La Razón foi além. Citando fontes vaticanas anônimas, o jornal informou em 2 de agosto que o documento consistorial de Roche (aquele que a mídia tradicionalista passou o inverno descartando como uma cruzada pessoal) foi escrito a pedido do próprio Leão XIV. O papa o leu pessoalmente, disseram as fontes, e o aprovou; nem uma vírgula foi alterada.

A imprensa tradicionalista explodiu. Diane Montagna, a cronista mais persistente do movimento, classificou a reportagem como lamentavelmente imprecisa; Dom Salvatore Cordileone, arcebispo de São Francisco (a quem Leão nomeou para a mais alta corte da Igreja em 25 de julho), foi à EWTN questionar o quanto Roche realmente conhece a mente do papa. Se as restrições permanecerem, alertou o arcebispo, alguns dos fiéis "vão então para esses outros grupos que não estão em plena comunhão com a Sé de Roma".

Ele não precisou nomear o grupo.

Seis décadas de guerra em torno da Missa

A Missa antiga é um campo de batalha desde que Paulo VI promulgou a liturgia reformada, em 1969.

Dom Marcel Lefebvre, que rejeitou as reformas do Concílio Vaticano II, construiu a Fraternidade Sacerdotal São Pio X em torno do Missal de 1962.

Quando ele consagrou quatro bispos sem permissão papal, em 1988, Roma o declarou excomungado. Bento XVI passou anos tentando fechar a ruptura. Ele revogou aquelas excomunhões em 2009 — dois anos, como se deu, depois que seu decreto Summorum Pontificum concedeu aos padres ampla liberdade para celebrar o rito antigo sem pedir permissão a seus bispos.

Francisco julgou aquele experimento um fracasso. Seu motu proprio de julho de 2021, a Traditionis Custodes, constatou que a concessão de Bento havia sido erguida como uma bandeira contra o próprio Concílio, e devolveu aos bispos (e a Roma) o controle sobre onde, e por quem, o Missal de 1962 poderia ser usado. Roche chegou ao ofício do culto menos de dois meses antes de o decreto ser publicado; ele aplicou as novas regras e depois as reforçou com rescritos próprios.

Leão herdou o campo de batalha e, por mais de um ano, quase nada disse publicamente. Seu único comentário mais longo veio em setembro de 2025, em entrevista ao site Crux: a liturgia, lamentou, havia se tornado "uma ferramenta política" em uma Igreja tão polarizada que "as pessoas não estão dispostas a se ouvir umas às outras".

Suas ações disseram o resto. Relatei em janeiro que seu primeiro consistório adiou toda esperança em torno da Missa em Latim, enquanto o papa lançava uma série de catequeses chamando o Vaticano II de "estrela-guia" da Igreja.

Quando os cardeais se reuniram novamente em junho, ele manteve a liturgia fora da pauta pela segunda vez. As fontes do La Razón descrevem aquele encontro de junho de forma direta: o rito antigo é uma questão "que uma minoria barulhenta quer agitar".

Nada disso tornou Leão XIV cruel. Em março, ele enviou uma mensagem aos bispos franceses, por meio do Cardeal Pietro Parolin, pedindo "soluções concretas" e a "inclusão generosa" dos católicos sinceramente apegados à Missa em Latim.

"É preocupante que uma ferida dolorosa continue se abrindo dentro da Igreja no que diz respeito à celebração da Missa, o próprio sacramento da unidade", escreveu ele.

O Cardeal Raymond Burke obteve permissão para celebrar o Missal de 1962 na Basílica de São Pedro, em outubro de 2025. Os superiores da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro e do Instituto Cristo Rei (duas comunidades tradicionais em plena comunhão com Roma) encontraram uma acolhida calorosa quando foram ao encontro do papa.

A tenda em Écône

Fraternidade Sacerdotal São Pio X testou a boa vontade de Leão XIV quando anunciou planos de consagrar quatro novos bispos sem aprovação papal.

O Cardeal Víctor Manuel Fernández advertiu, em 13 de maio, que as ordenações constituiriam "um ato cismático". Leão seguiu com uma carta pessoal, em 29 de junho, ao superior-geral da sociedade, pedindo que seus membros "por favor, voltassem atrás".

Eles se recusaram.

Em 1º de julho, em uma tenda erguida do lado de fora do seminário da sociedade em Écône, na Suíça — 38 anos, dia por dia, depois que Roma declarara Lefebvre excomungado —, o bispo Alfonso de Galarreta consagrou os quatro homens mesmo assim, diante de uma multidão de cerca de 15 mil fiéis.

No dia seguinte, o Vaticano declarou os bispos e padres da sociedade em cisma e excomungados, e estendeu a penalidade a qualquer leigo que aderisse formalmente ao grupo.

Nenhum papa havia ido tão longe contra a sociedade antes; a declaração de João Paulo II, em 1988, atingiu apenas os bispos envolvidos.

Se juntarmos essa sequência, o perfil do pontificado de Leão se torna mais nítido.

Canonista de formação, Leão implorou aos ultratradicionalistas que voltassem para casa, e depois assinou o decreto mais duro da história da sociedade quando eles marcharam para o cisma.

Ele disse aos bispos franceses para tratarem com generosidade os fiéis que amam o rito antigo. A facção que usa esse rito como arma contra o Concílio recebeu uma resposta diferente.

Os números explicam a confiança. Um estudo de 2025 do Pew Research Center constatou que 2% dos católicos estadunidenses afirmam frequentar semanalmente a Missa em Latim; os sociólogos Stephen Cranney e Stephen Bullivant, que estudam de perto o movimento, situam o número real de domingo entre 100 mil e 110 mil.

O megafone on-line do movimento é muito maior do que o próprio movimento. Unidade, na mente de Leão, nunca significou rendição aos extremistas.

A Eucaristia, que Roche corretamente chama de "o sacramento da unidade", é o mesmo sacramento que Leão citou em sua carta à França. Uma liturgia recrutada para a guerra ideológica deixou de fazer aquilo para o que uma liturgia existe.

Segundo o Papa Leão XIV, o Concílio Vaticano II continua sendo a "estrela-guia" da Igreja, seja qual for a decisão dos dissidentes da SSPX.

Céticos observam que Roche está além da idade de aposentadoria, e que seu mandato de cinco anos expirou em maio. Por isso, argumentam, suas palavras têm pouca autoridade. Isso não fecha a conta.

Se um prefeito colocasse palavras na boca do papa, esperaríamos uma correção oficial de Roma; e, uma semana depois, nenhuma apareceu.

O silêncio diz tanto quanto a entrevista disse.

Leão viaja à França no mês que vem, onde a peregrinação tradicionalista de Paris a Chartres reuniu, nesta primavera, cerca de 20 mil caminhantes, em sua maioria jovens.

Ele os encontrará como pai, e não como combatente. Os restauracionistas confundiram sua paciência com fraqueza, e o decreto de excomunhão deixa isso dolorosamente claro.

A Igreja está seguindo em frente, e o papa mantém a porta aberta para todos os que estiverem dispostos a atravessá-la.

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