O Papa contra os poderosos: 'Eles inventam inimigos para dominar e humilhar'. Artigo de Giacomo Galeazzi

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11 Agosto 2026

"Romper com a cultura do poder e derrubar os muros que separam os seres humanos nunca é trair a família, a cidade ou a tradição; pelo contrário, é libertá-las de seus fantasmas, de inimigos inventados pelo medo e pela ignorância", escreve Giacomo Galeazzi, vaticanista, em artigo publicado por La Stampa, 07-08-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Outro mundo é possível, mas "são necessários pacificadores". O que obstrui o futuro é "o medo do 'para sempre': as escolhas definitivas são as mais revolucionárias". Dirigindo-se aos jovens que chegaram de todos os cantos da Europa para o oitavo centenário franciscano, Leão assegura que "os cristãos estão do lado oposto dos fundamentalismos". Ele os alerta contra aqueles que "inventam inimigos para impor o próprio poder". O Pontífice responde a perguntas de jovens, entre 18 e 32 anos, que, desafiando o calor sufocante, se reuniram desde segunda-feira no berço do pacifismo. Ele deplora o "entrelaçamento perigoso entre confissão religiosa e nacionalismo", apontando o dedo contra aqueles que "instrumentalizam a religião contrapondo as identidades". Ele dirige um alerta severo aos poderosos da Terra que inventam "fantasmas e inimigos" para "dominar e humilhar" os outros. Leão XIV volta a propor à humanidade a lição do Poverello de Assis: "Não dominar, mas servir; não agarrar, mas receber; não segurar, mas devolver". Robert Prevost identificou a "paz desarmada e desarmante" como uma missão, e a visita a Assis sintetiza o seu Magistério. O movimento franciscano nasceu aqui, na Porciúncula, uma pequena igreja doada pelos beneditinos. Foi aqui que o padroeiro da Itália acolheu seus primeiros companheiros, fundou sua Ordem, obteve a indulgência plenária e morreu em 1226.

No adro da Basílica de Santa Maria dos Anjos, o Padre Filippo Di Giacomo explica: "Leão é o primeiro Papa em 800 anos a celebrar a Missa na Porciúncula, em vez de na Basílica Superior. Ele deixará um cálice aos frades em memória de um evento que coincide com as celebrações que culminam na novena do início de outubro. Mais uma vez, Prevost sai de Roma para se unir a uma forma de devoção popular, assim como fez no santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho após sua eleição, e em Mentorella, Pompeia e no Santuário de Mamã Muxima, em Angola". Isso ocorre, acrescenta ele, "exatamente no 48º aniversário do falecimento de Paulo VI, que, na Evangelii Nuntiandi, defendeu a religiosidade popular muitas vezes ignorada ou subestimada por sacerdotes e teólogos. A forma de se expressar de Leão é, ao mesmo tempo, culta e moderna: um bom exemplo para todos". Em tempos de guerras brutais e crises migratórias cada vez mais complexas, o Pontífice observa que agora, mais do que nunca, "a Europa e o mundo buscam novos santos".

Prevost faz um apelo para alcançar as "margens onde a injustiça e a prepotência de poucos negam a dignidade e os sonhos de muitos". É necessário, portanto, "abandonar caminhos já traçados para que um caminho novo, mais coerente, possa ser aberto".

O exemplo de Francisco é "revolucionário", enquanto a vocação da inovadora Clara é ainda mais "impressionante", pois "ela queria viver como uma mulher livre". Dessa forma, alerta Leão, "pode-se não ser compreendido, nem mesmo pela própria família, como aconteceu com Francisco". No entanto, "romper com a cultura do poder e derrubar os muros que separam os seres humanos nunca é trair a família, a cidade ou a tradição; pelo contrário, é libertá-las de seus fantasmas, de inimigos inventados pelo medo e pela ignorância". E também "da violência com que se gostaria de impor a própria ordem mesquinha numa realidade que nos supera por todos os lados". Devemos, portanto, "redescobrir um mundo de irmãos e irmãs a serem apreciados e servidos, não explorados e dominados. Não um mundo a ser defendido, mas a ser abraçado".

Uma reflexão que "remete à encíclica Magnifica Humanitas", observa o sociólogo Massimo Introvigne: "A técnica política, por si só, não basta. A ciência também é insuficiente. Segundo o famoso lema de Rabelais, ciência sem consciência é apenas a ruína da alma". O diretor do Cesnur prossegue: "O Papa falou aos jovens com uma liberdade que surpreendeu mais os adultos que os acompanhavam. O Papa sabe que ideias fortes não precisam ser gritadas. A Igreja existe para conduzir cada pessoa a uma dinâmica de escuta e tomada de decisão, na qual se aprende a distinguir a voz de Deus das próprias opiniões". Assim, " rompe-se a lógica do inimigo, não por uma oposição frontal, mas ao libertar a realidade dos fantasmas que a deformam. É uma mensagem clara que supera a política. À teoria do inimigo contrapõe uma estratégia da fraternidade". Leão "reflete sobre a inteligência artificial, que envolve o mundo em novos fios: basta agitá-los da maneira errada e tudo desmorona. Ele sabe que está diante de um mundo que já não sabe mais imaginar a si mesmo". A ameaça agora é a "globalização da impotência", isto é, a resignação coletiva diante de guerras, injustiças e pobrezas. Em seu diálogo com as novas gerações, o Papa, que foi professor e missionário, identifica a reconciliação como "o antídoto para a ação". Ele é ouvido não apenas pelos fiéis, mas também por jovens em busca de sentido.

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