Resistência à sinodalidade devido à mentalidade clerical, afirma teóloga alemã

Foto: Brandon Morgan/ Unsplash

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25 Julho 2026

Mudar leva tempo. Para a freira e teóloga Birgit Weiler, as formas de pensar do clero estão dificultando a implementação da sinodalidade na América Latina. Ela permanece otimista, no entanto.

A entrevista foi publicada por Katholisch.De, 25-07-2026.

Segundo Birgit Weiler, a Igreja na América Latina e no Caribe continua sua trajetória sinodal com inúmeros programas de formação, estruturas sinodais e trabalhos preparatórios para a reforma da formação sacerdotal. A professora de teologia aborda esse tema em um artigo publicado na quarta-feira no portal "feinschwarz.net".

Segundo Weiler, contextos culturais, sociais e eclesiásticos muito diferentes moldam os respectivos ritmos desses desenvolvimentos. Ela observa que, em vários lugares, há resistência "devido a uma mentalidade clerical persistentemente forte", que se encontra não apenas entre os sacerdotes, mas também entre os leigos e membros de ordens religiosas. Portanto, a teóloga acredita que a mudança de mentalidade necessária para uma Igreja sinodal será um processo longo. Weiler argumenta ainda que os movimentos eclesiais que rejeitam a visão da Igreja apresentada no Concílio Vaticano II, seja total ou parcialmente, complicam ou mesmo impedem o diálogo.

Assembleias sinodais anuais

Ainda assim, ela vê motivos para esperança: os bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM) realizam assembleias sinodais anualmente nas quatro regiões geográficas, com representantes de igrejas e organizações eclesiais locais. Weiler enfatiza que há uma crescente consciência de que "uma conversão espiritual rumo a uma sinodalidade mais praticada na Igreja exige, de fato, as estruturas e os procedimentos necessários". Estes devem ser inculturados nos diversos contextos da América Latina e do Caribe. "Para isso, é essencial envolver ativamente o maior número possível de membros do Povo de Deus, com suas diversas vocações, nesse processo. O processo já começou", afirma Weiler.

A CEAMA, conferência eclesial sinodal permanente para a região amazônica, surgiu do Sínodo da Amazônia de 2020 e tem como objetivo promover a sinodalidade e o cuidado pastoral comum entre as igrejas da Amazônia. Segundo Weiler, trata-se do primeiro órgão eclesial sinodal desse tipo na Igreja universal. Equipes sinodais são designadas nas dioceses e recebem apoio, no Peru, de uma comissão nacional para a implementação do Sínodo.

Ampla gama de cursos de formação virtual

Weiler relata um programa bem-sucedido de cursos de formação virtual. O Centro Bíblico-Teológico-Pastoral para a América Latina e o Caribe (CEBITEPAL) parte do princípio de que os processos eclesiais de conversão e transformação rumo a uma maior sinodalidade requerem formação continuada conjunta em fé, teologia e eclesiologia para crentes comprometidos, membros de ordens religiosas, diáconos permanentes, seminaristas, sacerdotes e bispos. O Centro também promove o desenvolvimento de redes teológico-pastorais.

Uma plataforma digital de formação oferece um curso online gratuito e multilíngue sobre o estudo e a implementação do documento final do Sínodo dos Bispos. Weiler relata que trabalhos preliminares estão em andamento para reformar a formação sacerdotal, baseados na convicção de que "a implementação da sinodalidade exige necessariamente uma reforma na formação dos futuros sacerdotes, para que compreendam e aprendam a exercer seu ministério em espírito sinodal". A freira, natural de Duisburg, vive e trabalha no Peru há décadas. Ela é membro da Comissão Nacional para a Implementação do Sínodo no Peru, nomeada pela Conferência Episcopal, e membro do grupo de teólogos para a reflexão teológica e pastoral do Conselho Episcopal da América Latina e do Caribe (CELAM). Ela também colabora com a Conferência de Igrejas da Amazônia (CEAMA). (KNA)

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