19 Julho 2026
"É preciso saber esperar, sabendo, ao mesmo tempo, forçar as horas daquela urgência que não permite esperar" (Pedro Casaldáliga), escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, comentando as "maravilhosas parábolas de Jesus lidas hoje em milhares de comunidades de fé do planeta".
Eis o texto.
Maravilhosas as parábolas de Jesus lidas hoje em milhares de comunidades de fé do planeta (Mateus, 13, 24-43).
Nesses tempos estressados, ruidosos, de drones assassinos, crueldades covardes, matanças e mentiras, elas funcionam como antídoto e contraponto.
Saia da acomodação, não desista da luta generosa: é preciso ter disposição para lavrar a terra e semear.
Segure a ansiedade e o imediatismo: é necessário ter calma para aguardar o tempo da colheita. Leva tempo até um pequenino grão "tornar-se a maior árvore, onde os pássaros do céu fazem seus ninhos" (32).
Tenha discernimento e espírito crítico: saiba separar o joio do trigo (30), o bem comum da maldade individualista e desonesta, nessa época de tantos enganos, ânsia de riqueza, visibilidade vaidosa e indução frenética ao "resultadismo" egoísta.
Meu saudoso amigo Pedro Pellegrino (1950-1997), psicanalista e poeta (como o pai Hélio), recomendou: "Jamais devemos perguntar o que será de nossas vidas. Jamais".
Devemos arregaçar as mangas, cuspir nas mãos, pegar na pá.
De pá em pá, chegar à pá-ciência".
Outro Pedro, também poeta, profeta e amado irmão, o Casaldáliga (1928-2020), juntou serenidade com urgência: "É preciso saber esperar, sabendo, ao mesmo tempo, forçar as horas daquela urgência que não permite esperar".
Há muito o que fazer, desde já, para combater o joio das injustiças e recolher o trigo das iniciativas solidárias, que fecundam um tempo livre da insensibilidade dos poderosos e das opressões.
Isso é construção de fragmentos do Reino do Céu aqui na Terra.
Vamos nessa?
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