05 Julho 2026
"Ser manso e humilde de coração é unir serenidade e firmeza de propósito, senso de justiça e generosidade", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o evangelho desse domingo.
Eis o texto.
Jesus Cristo não pregou para os poderosos, não se deleitou com riquezas ou frequentou palácios - como tantos que falam em Seu nome hoje em dia, em permanente estado de corrupção, cinismo e heresia.
No Evangelho lido nesse domingo em milhares de comunidades de fé (Mateus 11, 25-30), Ele é contundente: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos!" (25).
Os soberbos, inebriados por condecorações, detentores de poder, "sabedoria" e dinheiro, dificilmente alcançam a dimensão luminosa e amorosa da existência.
0s cheios de si estão vazios dos outros. Os saciados de todos os bens materiais não têm fome e sede do Transcendente, de Deus.
Jesus faz um louvor à grandeza dos anônimos, "cansados de carregar o peso dos seus fardos" (28). Exalta os que "não desejam glórias nem medalhas, se contentam com migalhas de canções e brincadeiras" ("Guardanapos de papel" - Milton Nascimento, B. y S. Leo Masliah, versão de Carlos Sandroni).
Seu anúncio carrega, com ternura, acolhida, descanso e paz, aplacadas todas as dores, expulsos todos os ódios.
Jesus de Nazaré pratica e predica a simplicidade radical. E nos convoca: "Aprendam de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrarão descanso para suas vidas" (29). Oferece "um jugo suave e um fardo leve" (30), sem falsos moralismos e imposição de culpas.
Mansidão e humildade não significam resignação e aceitação da opressão. Fosse assim, Ele não teria expulso a chicotadas os vendilhões do Templo...
Ser manso e humilde de coração é unir serenidade e firmeza de propósito, senso de justiça e generosidade.
Augusto Matraga, personagem de um conto antológico de Guimarães Rosa (1908-1967), era um "coronel" mandão e violento. Foi jogado de um precipício por vários dos inimigos que fizera na vida. Encontrado quase morto, foi salvo por um casal muito pobre, e curado em sua cabaninha de quase nada, mas com muita reza, remédios de plantas e fé.
"Nho Augusto", convertido do nada prepotente à crença bondosa, vivia orando: "Ó Jesus, que és manso e humilde de coração, fazei meu coração semelhante ao vosso". E bradava, renegando sua vida anterior de maldades: "Vou entrar no reino dos céus, nem que seja a porrete!". Até que encontrou sua hora e sua vez...
E NÓS, temos sido mansos, calmos, e suportado com humildade os fardos da existência - sem perder a indignAÇÃO frente ao que é injusto, cruel, desonesto, devastador?
Nossa hora e vez é sempre agora!
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