Em seu cansaço e fadiga, venha a mim. Artigo de Tomás Muro Ugalde

Foto: sivildikkatsizlik | Pexels

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03 Julho 2026

"Jesus também nos chama a nos encontrarmos com Ele e nos diz: Vinde a mim, vós que estais cansados na vida, eu vos aliviarei… Evoquemos o Salmo 22O Senhor, bom Pastor, nos conduz às verdes pastagens e nos faz descansar junto às fontes que jorram água de vida. Meu jugo e meu fardo são o amor, não a lei."

O artigo é de Tomás Muro Ugalde, teólogo basco, publicado por Religión Digital, 29-06-2026.

1. Cansados e oprimidos

Talvez possamos nos ver refletidos no poema de Miguel Hernández: com três feridas caminhamos na vida — a do amor, a da vida, a da morte. Mas também podemos nos sentir confortados pelas palavras que Jesus nos dirige no evangelho de hoje: Vinde a mim, vós que estais cansados e oprimidos, que eu vos aliviarei.

Com três feridas, com muitas feridas, caminhamos. Por mil motivos e circunstâncias, a vida pode nos pesar e nos cansar. As limitações pessoais, a doença, as ilusões da juventude não realizadas, os projetos familiares que ficaram como matéria pendente, as decepções de ordem política, cultural, os desencantos eclesiais. Todas essas coisas podem ferir a alma humana.

2. Vinde a mim

Vinde a mim, todos os que estais cansados da vida, que eu vos aliviarei.

Jesus Cristo não criou nem fundou uma nova religião, que seria uma "boa oferta" no supermercado das muitas religiões; nem se refere a que o cristianismo seja uma religião de "manga larga", em que tudo fosse mais fácil e suportável. Antes, Jesus nos chama pessoalmente: Vinde a mim… Trata-se de um encontro pessoal com Cristo, expressão e revelação de Deus Pai. E esse encontro com o Senhor é descanso e calma na vida. Eu vos aliviarei… e encontrareis descanso…

Encontrar-se com Jesus Cristo é uma vivência simples, humilde, mas de grande profundidade; não é para os sábios e entendidos, mas uma experiência profunda na qual encontramos uma grande paz e uma alegria íntima.

3. Um jugo suave

Tomai sobre vós o meu jugo, que é suave, e o meu fardo, que é leve, e encontrareis descanso.

Ao longo deste ciclo litúrgico, vemos como São Mateus escreve o evangelho para cristãos de tradição judaica, cujo jugo religioso era a lei. Jesus nos liberta desse jugo. Jesus leva a lei à sua plenitude, que não é o cumprimento estrito das leis e normas ao estilo fariseu, mas o amor. Jesus nos chama a viver no amor. Esse é o jugo suave e o fardo leve — não o cumprimento de uma normativa, mas viver no amor do Senhor. O jugo de Jesus não é a lei, é o amor.

Escrevia o teólogo Paul Tillich (1886-1965): "O jugo, o fardo do qual Jesus quer nos libertar, é o fardo da religião, isto é, o jugo da lei, imposto em seu tempo ao povo pelos mestres religiosos, pelos homens sábios e inteligentes — como ele próprio os chamaria — os escribas e os fariseus." Não é a mesma coisa uma religião como lei e um encontro com Jesus Cristo. Vinde a mim… No encontro com Cristo, vemo-nos imersos em uma paz que supera o cumprimento da lei e a própria razão.

4. Volta a religião?

Há alguns dias, o bispo de Bilbao, Joseba Segura, afirmava em um veículo de comunicação que está se produzindo "uma mudança na sociedade" em direção à religião. Embora no País Basco não se possa esperar "um ressurgimento forte de religiosidade", também estão "acontecendo coisas" com pessoas que "se aproximam das paróquias", dizia o bispo Segura. É sabido que o País Basco é um dos povos mais secularizados e descristianizados: "o momento de secularização já é máximo", mas parece, constatava o bispo Segura, que algo está acontecendo, embora não seja para lançar foguetes. "Ainda é preciso pensar bastante sobre quais coisas são sintomas de que efetivamente está se produzindo uma mudança e tentar interpretar o que isso significa."

Podemos nos perguntar, porém: seria saudável uma volta à religião tal como parece que se quer voltar e se está fazendo? O mesmo bispo Segura, com alguma ironia, precisava que "uma coisa é Sevilha e outra é San Sebastián, por mais que em San Sebastián este ano tenham retomado a tradição já esquecida por décadas da Semana Santa".

A religião de Jesus e a religiosidade popular não são um museu. A religiosidade que se tenta recuperar hoje em nossa Igreja é a do encontro com Jesus — o Vinde a mim… — ou é um revival da lei do Direito Canônico e de certas práticas e atitudes religiosas? Estamos evangelizando, orientando para Jesus as nossas pessoas, os nossos jovens cansados e oprimidos? Estamos chamando as nossas pessoas a seguirem Jesus? Vinde a mim, vós que estais cansados e oprimidos… ou estamos lhes dizendo:

  • que é preciso cumprir estritamente os ritos e rituais do missal romano;
  • que é preciso voltar — exclusivamente — à confissão individual com a enumeração detalhada dos pecados;
  • que devemos sair às ruas em procissão;
  • que nossa lei é o Direito Canônico?

Jesus também nos chama a nos encontrarmos com Ele e nos diz: Vinde a mim, vós que estais cansados na vida, eu vos aliviarei… Evoquemos o Salmo 22: O Senhor, bom Pastor, nos conduz às verdes pastagens e nos faz descansar junto às fontes que jorram água de vida. Meu jugo e meu fardo são o amor, não a lei.

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