13 Julho 2026
"Que outra liderança poderia servir de contrapeso ao presidente dos EUA? [...] nos resta apenas depositar nossas esperanças naquele senhor vestido de branco capaz de reagir, ponto por ponto e sem jamais levantar a voz, às explosões de seu compatriota (a quem, se pudesse, temos certeza que trataria de bom grado a chutes no traseiro, como certos padres das escolas dominicais costumam fazer com os jovens mais travessos)?"
O artigo é de Antonio Padellaro, jornalista italiano, publicado por il Fatto Quotidiano, 12-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Não é preciso ser crente para perceber que, hoje, o Papa Leão XIV é a única figura pública no cenário mundial capaz de fazer frente a Donald Trump. Comparado ao ocupante da Casa Branca, o Pontífice é — sob qualquer critério — imensamente mais popular, amado, estimado, escutado e aclamado. Sem falar que pessoas de toda parte, todos aqueles que ainda nutrem fé e esperança no futuro da humanidade, voltam seus olhares para o Vaticano. Trump, por sua vez, comanda o exército mais poderoso da Terra e, se assim desejasse, poderia incinerar a Cátedra de São Pedro num segundo. No entanto, mesmo assim, ele não conseguiria enfraquecer a infinita energia espiritual que emana do sucessor de Pedro e de toda a Igreja. Não somos nós que estamos inventando uma rivalidade entre personagens que parecem habitar planetas distintos, mas que agem nesta Terra — um exercendo poder material, o outro, espiritual. Duas forças formidáveis, e talvez, acima de tudo, midiáticas, que parecem não ter rivais.
De Trump já aprendemos a conhecer todas as manifestações possíveis do ego megalomaníaco e toda a gama de seus insultos; de sua explosiva capacidade de gerar, a qualquer hora do dia ou da noite, quantidades extraordinárias de violência, prepotência e arrogância, tudo acompanhado por um uso desenfreado (e ridículo) das mentiras. Do Papa Leão, e de seu amado predecessor, o Papa Francisco, vem uma mensagem enraizada no Evangelho, mas que penetra profundamente nos acontecimentos atuais, abrindo caminho nas trevas dos nossos tempos. E enquanto um emprega a linguagem do ódio, incitando guerras, erguendo barreiras selvagens contra os imigrantes e negando o aquecimento global (em favor dos combustíveis fósseis), o outro pede à Europa para socorrer os migrantes e ao mundo que escute o "grito da terra".
Prevost fala de "uma paz desarmante e de uma paz desarmada", para "construir pontes por meio do diálogo e do encontro", e nos convida a "desarmar as palavras para desarmar a terra". Paz, diálogo, unidade, comunhão, esperança, dignidade das pessoas, amor de Deus para todos: expressões que encarnam uma mensagem de amor dirigida diretamente ao coração das pessoas. Trump certamente não é o Anticristo; pelo contrário, se suas ações não fossem tantas vezes tão perigosamente imprudentes, a imagem que ele transmite, de um idoso pomposo, obeso e de cabelos tingidos, poderia até despertar uma espécie de pena hilária.
Por outro lado, que outra liderança poderia servir de contrapeso ao presidente dos EUA? Seus dignos comparsas Putin e Netanyahu, com os quais, como os ladrões de Pisa, ele finge brigar durante o dia apenas para se mancomunar à noite nas mais vis das vilanias? O "Buda de Pequim", incansavelmente empenhado em cuidar apenas de seus próprios interesses? Os súditos inermes da União Europeia, que se deixam maltratar pelo valentão com um prazer quase masoquista? Os Rutte? Os Infantino? Os muitos indecoros fantoches que transformaram a bajulação servil em um ofício bem remunerado? Ou nos resta apenas depositar nossas esperanças naquele senhor vestido de branco capaz de reagir, ponto por ponto e sem jamais levantar a voz, às explosões de seu compatriota (a quem, se pudesse, temos certeza que trataria de bom grado a chutes no traseiro, como certos padres das escolas dominicais costumam fazer com os jovens mais travessos)?
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