O grande cisma e o pequeno cisma: tradicionalismos diferentes frente a frente. Artigo de Andrea Grillo

Foto: Elimende Inagella/Unsplash

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03 Julho 2026

"O Papa Leão XIV pronunciou as palavras mais claras: 'Seguiremos em frente'. Isso se aplica não só ao grande cisma, mas também ao pequeno. Abordar o segundo significa dizer 'seguiremos em frente' também no plano litúrgico: aqueles que desejam o latim e as formas clássicas as encontrarão nos ritos de Paulo VI e João Paulo II, em nenhum outro lugar. Uma palavra clara, que podemos pronunciar com ainda mais clareza hoje, visto que o Rito Tridentino, usado em 2026, só pode gerar cisma e divisão".

O artigo é de Andrea Grillo, teólogo italiano, publicado por Come se non, 01-07-2026.

Eis o artigo.

O cisma ocorrido hoje, 1º de julho de 2026, não representa um grande avanço e confirma uma situação que vem se consolidando progressivamente nos últimos 40 anos, desde o cisma de 1988. Uma parcela da Cúria Romana e da Igreja universal, após essa data, passou a acreditar que o cisma era um sinal de excessiva abertura dentro do catolicismo. E começaram a trabalhar para reconciliar posições: em outras palavras, para trazer os lefebvrianos de volta por meio de uma série de concessões da Cúria Romana.

Tudo começou com João Paulo II, mas se intensificou com o pontificado de Bento XVI, que chegou a conceder aos lefebvrianos seu argumento mais antigo: o de que a reforma litúrgica não era normativa para todos e permitia que alguns a dispensassem sem perder a comunhão com Roma. Se essa ideia, que Lefebvre aprendera com Giuseppe Siri, tivesse se tornado "linguagem comum na Igreja Romana", talvez o abismo pudesse ter sido reduzido e uma nova fase pudesse ter começado. Obviamente, o preço pago após 2007 foi muito alto. Para diminuir a distância em relação ao tradicionalismo cismático, fomentou-se um tradicionalismo institucional ainda mais perigoso, pois iludiu alguns grupos de católicos, fazendo-os acreditar que poderiam permanecer católicos retrocedendo o rito litúrgico para antes do Concílio Vaticano II.

O cisma atual sinaliza oficialmente que essa perspectiva é infundada. É claro que a liturgia é apenas um componente da vida católica. Os lefebvristas têm problemas com todos os documentos conciliares, não apenas com a Sacrosanctum Concilium. Mas, ainda mais, questionam a liberdade de consciência, o pluralismo cultural, a forma eclesial da comunhão e inúmeras outras decisões da Igreja ao longo dos últimos 60 anos.

Mas isso também se aplica aos tradicionalistas que exigem "apenas" a Missa Latina segundo o Missal de 62 (o último Missal Tridentino). Eles também, claramente, rejeitam não só a reforma litúrgica, mas também a face eclesial que emergiu do Concílio, em todos os seus níveis.

Eis, então, o problema: o que fazer com esses católicos iludidos que pensam poder permanecer católicos sem aceitar o Vaticano II? Eles foram iludidos nos últimos 20 anos de uma maneira escandalosa, eu diria até vergonhosa. Uma das consequências do cisma atual é que essa ilusão foi definitivamente desmantelada. Como observou Arthur Holquin em um artigo recente e bem fundamentado, todas as soluções propostas para a questão da "Missa Antiga" falharam: seja a prelazia pessoal, a paróquia pessoal, a solução tipográfica de duas ordens em um único livro, seja o paralelismo de formas estabelecido pelo Summorum Pontificum.

O que resta, então, como possibilidade concreta?

Parece-me que tudo o que resta é reconhecer o valor mediador da reforma litúrgica, que oferece uma liturgia acolhedora para todos: para aqueles que desejam uma forma mais clássica e para aqueles que desejam uma mais dinâmica. Para todos aqueles que foram iludidos por 20 anos de obsessão com o Novus Ordo, tudo o que resta é retornar à única Igreja e à única liturgia. Uma Igreja que, no Novus Ordo, permite às comunidades, se assim o desejarem, celebrar somente em latim e usar somente o Cânon Romano. Mas não permite que o calendário e o lecionário sejam divididos entre antes e depois do Concílio. Nem permite, sob a liturgia tridentina, hostilidade à liberdade de consciência, ao diálogo inter-religioso, ao reconhecimento da dignidade da pessoa e à integração de formas irregulares de vida e família.

Toda essa hipocrisia, que prega a compatibilidade entre formas eclesiais incompatíveis, termina com o cisma de 2026. E todos, fiéis e pastores, bispos e cardeais, intelectuais e teólogos, devem evitar fazer afirmações vazias, usar princípios sofísticos e inventar concordâncias impossíveis, apenas para negar as evidências. O Papa Leão XIV pronunciou as palavras mais claras: "Seguiremos em frente". Isso se aplica não só ao grande cisma, mas também ao pequeno. Abordar o segundo significa dizer "seguiremos em frente" também no plano litúrgico: aqueles que desejam o latim e as formas clássicas as encontrarão nos ritos de Paulo VI e João Paulo II, em nenhum outro lugar. Uma palavra clara, que podemos pronunciar com ainda mais clareza hoje, visto que o Rito Tridentino, usado em 2026, só pode gerar cisma e divisão.

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