26 Junho 2026
Eventos climáticos extremos de calor e seca estão aumentando a desigualdade de renda e empurrando milhões de pessoas para a pobreza em toda a Europa, mostra um estudo do Climate Analytics. As ondas de calor, potencializadas já consomem até 10% da renda das famílias no continente.
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 25-06-2026.
Esse foi o custo silencioso de períodos de calor extremo e secas apenas na região de Madri entre 2004 e 2022, mostra a pesquisa. E vai piorar, caso os países do continente que mais rapidamente aquece no planeta não ataquem o ponto central do problema: as mudanças climáticas, causadas sobretudo pela queima de petróleo, gás e carvão, destaca a Folha.
O estudo combinou dados de pesquisas domiciliares europeias de 2004 a 2022 com dados de alta resolução sobre temperatura e seca para encontrar a correlação entre risco de pobreza e eventos climáticos extremos, explica o Down to Earth. E constatou que, em média, uma onda de calor consome 0,7% da renda familiar, e uma seca, 1,8%. Quando combinados, a perda chega a 3% – uma realidade cotidiana de parte do sul europeu.
“Consideramos um acúmulo de seca ao longo de seis meses. E, no final dos seis meses, uma onda de calor agravando os efeitos da seca”, exemplifica Jessie Schleypen, uma das autoras do estudo. Ela cita o encadeamento de eventos que levam à condição observada atualmente: inverno com pouca neve, verão com pouca umidade e ausência de chuvas. “E, no final dos seis meses, uma onda de calor, agravando os efeitos da seca.”
Os números da queda de renda podem não parecer muito altos para o Brasil, onde a taxa de juros (Selic) gira há tempos em torno de dois dígitos. Mas é significativo para os padrões europeus. Em 2025, a inflação média anual na zona do euro foi de 2,1%.
Calor extremo e secas prolongadas podem provocar efeitos como piora das condições de saúde, queda da produtividade no trabalho, declínio na produção de alimentos e insegurança hídrica – o que também impacta em serviços que utilizam água, como geração de energia e transportes.
O estudo mostra que, caso o planeta aqueça 2,7°C – como mostra o ritmo atual de emissões dos países -, o número de pessoas sob risco de pobreza na Europa saltará para 127 milhões, com queda de 27% na renda familiar, informam Wion News e Climate Analytics.
No período analisado, depois de Madri – o local com maior impacto da crise climática no orçamento familiar, com 10% -, as maiores perdas ocorreram em regiões centrais da Hungria (9,4%) e da Espanha (8,8%), mostra a análise.
Leia mais
- O que a “pobreza de resfriamento” revela sobre justiça climática
- População pobre sofre mais nas ondas de calor
- Renda média global cairá 40% com aumento da temperatura de 4°C
- Crise climática global pode provocar retração econômica e grande mortalidade. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
- Mudanças climáticas e economia: estudo revela impacto global de US$ 38 Trilhões
- Impactos da mudança climática no crescimento econômico
- Intensificação do uso de ar-condicionado agrava o aquecimento global
- Impactos desiguais: as mudanças climáticas e a intensificação das desigualdades sociais
- Arborização urbana como medida preventiva de saúde pública
- Mortes por calor extremo podem aumentar 5 vezes até 2050
- Calor sem precedentes vai “reescrever história do clima” no Brasil
- Entenda as causas e os efeitos das mudanças climáticas
- Número de dias com ondas de calor passou de 7 para 52 em 30 anos
- Europa instala mais aparelhos de ar-condicionado por conta das ondas de calor
- Como o uso de ar-condicionado está deixando o mundo mais quente
- Mudança climática aumenta a demanda de energia para refrigeração
- Como os edifícios podem reduzir 80% de suas emissões de carbono até 2050
- Emissões globais de dióxido de carbono (CO2) aumentam mesmo com a diminuição do carvão e o aumento das energias renováveis
- Mudanças climáticas podem acabar com o sustento de famílias
- Cresce o número de ar condicionados em países desenvolvidos; expansão impulsiona aquecimento global
- Edifícios corporativos com fachadas de vidro geram alto impacto ambiental
- Em meados do século, a mudança climática aumentará a demanda por energia, mesmo com aquecimento moderado
- Três formas de gerar energia através do sol que você deveria conhecer
- Tecnologia de geração solar flutuante aumenta em 14% a capacidade dos painéis fotovoltaicos