Bíblia: uma carta de amor enviada por Deus

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04 Setembro 2026

“Um verdadeiro convite a despertar para a Palavra de Deus foi feito pelo Papa Paulo VI, na Constituição Apostólica Missale Romanum, pela qual promulgou o Missal Romano, restaurado segundo o decreto do Concílio Vaticano II, em 1969.”

O comentário é de Patricia Fachin, jornalista, graduada e mestra em Filosofia pela Unisinos e mestra em Teologia pela PUCRS. 

Setembro é considerado o mês da Bíblia. O período faz referência à memória litúrgica de São Jerônimo, que se dedicou ao estudo, interpretação e tradução das Escrituras para o latim entre o fim do século IV e início do V. Apesar de ser o livro mais vendido do mundo, a Bíblia é um ponto de interrogação para muitos. Como explica Michelangelo Priotto, teólogo e doutor em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico, não se trata de uma “biblioteca de 73 livros, mas um livro único”, cuja unidade teológica é reconhecida na “Palavra que Deus dirige ao homem”. Essa Palavra, exemplificou São Gregório, é uma carta de amor que Deus envia aos homens, mas, muitos nem sequer a tiram do envelope.

Na Carta Apostólica sob forma de motu proprio Aperuit illis, pela qual instituiu o Domingo da Palavra de Deus em 2019, o Papa Francisco destacou o núcleo central das Sagradas Escrituras: “A Bíblia, enquanto Escritura Sagrada, fala de Cristo e anuncia-O como Aquele que deve passar pelo sofrimento para entrar na glória (cf. Lc 24,26). E d’Ele falam não só uma parte, mas todas as Escrituras” (n. 7). O Deus bíblico, portanto, é o Deus da vida. Aquele que nos convida a retornar à comunhão rompida. É um Deus que fala e espera, como ensina Hans Uns von Balthasar, a nossa resposta. 

Um verdadeiro convite a despertar para a Palavra de Deus foi feito pelo Papa Paulo VI, na Constituição Apostólica Missale Romanum, pela qual promulgou o Missal Romano, restaurado segundo o Decreto do Concílio Vaticano II, em 1969. Um dos chamados do Papa Montini ao promover a renovação da Igreja diz respeito ao contato dos fiéis com as Sagradas Escrituras. O objetivo em relação à disseminação da Palavra de Deus era triplo: 1) que se tornasse “para todos uma fonte perene de vida espiritual”, 2) “o meio precípuo para a transmissão da doutrina cristã” e 3) “a medula de toda a formação teológica”. É nas Escrituras, explicava o Papa à época, que “aparece mais claramente o desenvolvimento do mistério da salvação, a partir das palavras reveladas”. 

50 anos depois da Constituição Missale Romanum, Francisco ainda nos advertia: “Temos urgente necessidade de nos tornar familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de partir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes” (n. 8). Um modo de se aproximar, a fim de chegar à familiaridade e à intimidade, é a escuta diária da Palavra de Deus, proclamada liturgicamente pela Igreja. Todos os dias a Igreja proclama o Evangelho de Cristo, precedido de leituras do Antigo Testamento, das Cartas Apostólicas, dos Atos dos Apóstolos ou do Apocalipse, incluindo os Salmos, com nosso louvor, petição e súplica. 

Que possamos, desde já, unir nossa oração àquela que faremos na memória litúrgica de São Jerônimo, pedindo ao Senhor a graça de amar o que o Doutor da Igreja tanto amou: “Ó Deus, que destes ao presbítero São Jerônimo um profundo amor pela Sagrada Escritura, concedei que o vosso povo seja alimentado cada vez mais com a vossa palavra e nela encontre a fonte da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos”. 

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