26 Fevereiro 2026
Estudo revela que o aumento do uso de ar condicionado pode gerar até 8,5 GtCO₂-eq anualmente até 2050 e adicionar até 0,07°C ao aquecimento global, a menos que o mundo reduza as emissões enquanto avança para tecnologias de refrigeração mais limpas.
A reportagem é publicada por Ecodebate, 26-02-2026.
Embora o ar condicionado proteja as pessoas do calor perigoso, ele também agrava significativamente o aquecimento global, podendo, até 2050, produzir mais dióxido de carbono do que as emissões anuais atuais dos Estados Unidos, revela um novo estudo.
Os cientistas combinaram ciência climática, modelagem energética e análise de desigualdade para criar uma estrutura única usando um conjunto de “narrativas” globais bem estabelecidas — Caminhos Socioeconômicos Compartilhados e Caminhos de Concentração Representativos (cenários SSP e RCP), um conjunto de “futuros” que variam de ações climáticas rigorosas a altas emissões.
O estudo revela que, até 2050, o uso de ar-condicionado mais que dobrará. O consumo de eletricidade para refrigeração poderá atingir 4.493 TWh em cenários intermediários e muito mais em cenários de altas emissões. As emissões provenientes do ar-condicionado poderão chegar a 8,5 GtCO₂-eq por ano no pior cenário, mais do que as emissões anuais atuais dos Estados Unidos (5,9 GtCO₂-eq).
Ao publicar suas descobertas na revista Nature Communications, o grupo internacional de pesquisa, liderado pela Universidade de Birmingham, alerta que a maior parte desse aquecimento adicional é causada pelo aumento da intensidade no consumo de refrigeração, pelo maior número de famílias que adotam e utilizam ar-condicionado, e não apenas pelo aumento das temperaturas.
Aquecimento projetado e desigualdade no resfriamento
Pesquisadores estimam que o uso de ar-condicionado contribuirá com 0,03°C a 0,07°C para o aquecimento global até 2050, dependendo da trajetória de emissões que o mundo seguir. Isso equivale a cerca de 74 a 183 bilhões de voos transatlânticos de ida e volta. O aumento previsto na temperatura é significativo se comparado à pequena margem restante para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C.
O estudo também revela uma grande desigualdade global, na qual as regiões que mais precisam de refrigeração, como o Sul da Ásia e a África, são as que têm menos acesso a ar condicionado. Regiões mais ricas, como a Europa e a América do Norte, têm menores necessidades de refrigeração, mas maior consumo de ar condicionado.
A professora Yuli Shan, da Universidade de Birmingham, autora correspondente do estudo, afirmou: “O aquecimento global está elevando as temperaturas e causando mais ondas de calor, e o crescimento econômico em alguns dos países mais afetados significa que mais pessoas podem amenizar o calor extremo com ar-condicionado.”
“Com o aumento das temperaturas globais, corremos o risco de entrar em uma ‘corrida armamentista’, onde a defesa contra o calor extremo agrava o problema. O mundo precisa fazer uma transição rápida para tecnologias de refrigeração mais limpas e eficientes, garantindo, ao mesmo tempo, o acesso equitativo à refrigeração, especialmente para as populações vulneráveis.”
Além de adotar uma transição rápida para energia limpa, a equipe de pesquisa recomenda a rápida adoção de líquidos refrigerantes de baixa poluição em sistemas de ar condicionado e um melhor projeto de construção civil, utilizando isolamento e sombreamento de forma mais eficaz.
Os pesquisadores também defendem mudanças comportamentais, como diminuir a potência do ar condicionado e evitar o uso do sistema nos horários de pico.
Referência
Zhang, H., Shan, Y., Li, R. et al. Rising Air-Conditioning Use Intensifies Global Warming. Nat Commun 17, 1961 (2026). Acesse aqui.
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