Heiner Wilmer: não me vejo como um bispo que empunha um bastão

Heiner Wilmer | Foto: Deutsche Bischofskonferenz/Vatican Media

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19 Junho 2026

Uma semana antes de sua posse como bispo de Münster, Heiner Wilmer está percorrendo as diversas regiões de sua nova diocese. Ele quer conhecer melhor o país e seu povo, além de estabelecer um tom positivo desde o início. Em entrevista, o prelado explica a relação disso com sua autoimagem como bispo.

A entrevista é de Jürgen Flatken, publicada por Katholisch.de, 18-06-2026.

Mesmo antes de sua posse como Bispo de Münster neste próximo domingo, o senhor está realizando uma peregrinação de cinco dias por sua nova diocese. Por quê?

Com a minha peregrinação, quero estabelecer desde o início um tom que ressoe por toda a diocese. E que esse tom se desenvolva numa melodia sinfônica, para que, como numa orquestra, uma interação harmoniosa e multifacetada de muitos elementos crie uma bela melodia.

Numa orquestra, o maestro fica à frente, ditando o ritmo para os músicos. O que essa imagem diz sobre você e sua autoimagem como futuro Bispo de Münster?

Não me vejo como um bispo empunhando um bastão. Pelo contrário. Desde o início, caminharemos juntos na fé por toda a diocese. Não "de cima para baixo", não apenas "cara a cara", mas "lado a lado". Pensem na poderosa imagem dos discípulos no caminho de Emaús, que também caminharam ao lado de Jesus. Juntos, vamos lidar com o mistério da fé e nos perguntar: Como lidar com as dúvidas sobre a fé? O que nos sustenta e nos apoia? E o que nos faz sentir grandiosos e belos por dentro? Em última análise, compartilharemos nossas vidas, como escreveu o escritor colombiano e ganhador do Prêmio Nobel, Gabriel García Márquez, a quem admiro muito, em sua autobiografia, "Viver e Contar". Viver e contar a história. Que declaração poderosa. E que missão para nós, cristãos: viver e contar sobre nosso relacionamento com Deus e nossa fé.

O Papa Leão XIV comparou recentemente a jornada da fé a uma peregrinação e à busca das pessoas pela verdade, pelo amor e por um sentido duradouro na vida. Você concorda com essa comparação?

Para mim, a imagem da peregrinação também é um símbolo da própria vida. Estamos numa jornada como comunidade e, como diz Paulo: "A nossa verdadeira morada é o céu". Para mim, peregrinação significa, de fato, caminhar rumo a um destino e conectar o terreno com o divino. E talvez também criar espaço e tempo, ter espaço e tempo para o mistério e o segredo da vida, para o grandioso e o belo. Para maravilhar-me com algo magnífico que jamais compreenderei completamente, o que, em última análise, chamamos de Deus. Para mim, a peregrinação representa, sem dúvida, a busca e o anseio por Deus.

As primeiras peregrinações já aconteceram. O que você aprendeu que será útil para o seu serviço como Bispo de Münster?

Os muitos encontros e conversas mostraram-me, mais uma vez, que as pessoas têm um profundo anseio por espiritualidade, por apoio, por comunidade. E que a fé permanece forte e desempenha um papel significativo na vida das pessoas. Elas anseiam por uma vida bela e rica, que tenha fundamento e conheça o mistério da fé. Esse conhecimento me enche de um incrível respeito pela humanidade, bem como pela beleza e grandeza deste mundo e desta criação. Ao mesmo tempo, vejo isso como minha missão como bispo: acompanhar as pessoas em sua jornada de fé e vida e apoiá-las da melhor maneira possível. Nisso, vejo-me como membro da Diocese de Münster, com uma missão: tornar possível uma vida boa para todos, de acordo com a vontade de Deus. Para que todos possam encontrar um lar em segurança e confiança.

Para todos significa…?

Tenho a responsabilidade não só pelos católicos, mas por todas as pessoas que vivem na Diocese de Münster. É minha firme convicção que nós, como Igreja Católica, devemos estar abertos a todas as pessoas e sermos capazes de lhes oferecer um lar. A hospitalidade aplica-se a todas as pessoas, independentemente da denominação, religião, posição social, género ou etnia.

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