17 Junho 2026
"O budismo, o xintoísmo e o taoísmo se fundem na tradição Shugendo, cujos ascetas se dedicam a práticas extremas como o Sennichi Kaihogyo, a circunvolução de uma montanha por mil dias."
O artigo é de Marco Ventura, professor de Direito canônico e eclesiástico da Universidade de Siena, publicado por Corriere della Sera, 15-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
À meia-noite de 3 de maio de 1991, Ryojun Shionuma entrou no salão Zao do templo Kinpunsen, no Monte Yoshino, na província japonesa de Nara. Ele vestia o manto fúnebre branco de quem se prepara para a passagem para o além. Dirigindo-se para Zao Daigongen, a divindade guardiã do ascetismo Shugendo, assumiu solenemente o compromisso de completar o Sennichi Kaihogyo do Monte Omine, do qual já havia praticado no ano anterior os primeiros cinquenta dias dos mil dias previstos: "Prometo completá-lo, custe o que custar". Em 2 de setembro de 1999, a prática foi concluída. Após 1.300 anos, Ryojun Shionuma, então com trinta e dois anos, tornava-se o primeiro monge a quem se atribui o feito.
O budismo, o xintoísmo e o taoísmo se fundem na tradição Shugendo, cujos ascetas se dedicam a práticas extremas como o Sennichi Kaihogyo, a circunvolução de uma montanha por mil dias. O percurso do Monte Omine é o desafio mais extremo. Durante os meses em que a estrada está aberta, entre 3 de maio e 22 de setembro, o monge deve vencer um desnível de aproximadamente 1.300 metros no mesmo dia, subindo até o cume da montanha a 1.700 metros e depois descendo para retornar ao mosteiro onde está hospedado. Quarenta e oito quilômetros, 16 horas de caminhada: despertar às 23:30, partida uma hora depois; o cume é alcançado por volta das 8h e o retorno ao mosteiro acontece por volta das 15h.
A preparação é meticulosa. Tudo, da dieta à postura, do chapéu de palha ao calçado, é cuidado nos mínimos detalhes. A preparação ritual e espiritual não é menos exigente. O fracasso não é admitido. Independentemente das condições meteorológicas ou pessoais, em meio a um temporal e com febre, sob um sol escaldante e com disenteria, perseguido por um urso, ameaçado por uma víbora ou atormentado por uma cárie, o monge não pode deixar de partir, não pode deixar de chegar. Carrega consigo uma corda e uma adaga. A única escolha que lhe é permitida, em caso de rendição, é enforcar-se ou eviscerar-se.
Em 2024, Costanza Rizzacasa d'Orsogna encontrou-se com Ryojun Shionuma no mosteiro que ele fundou em 2003 em sua cidade natal, Sendai. O retrato do monge apareceu na revista semanal "7" do Corriere della Sera e despertou considerável interesse. A escritora e jornalista decidiu então assumir a curadoria da edição italiana do livro que o monge escreveu à mão em 2008, relatando sua prática no Monte Omine e aquela do ano seguinte, quando também completou as quatro abstinências, o Shimugyo, nove dias sem comer, beber, dormir ou deitar. O livro está sendo agora publicado pela Vallardi sob o título L'arte di sorridere in salita (A arte de sorrir em subida, tradução de Roberta Giulianella Vergagni, pp. 256 e 18), com um prefácio da curadora e uma conversa inédita com o monge, de fevereiro passado. "Não nos dedicamos a essas práticas para morrer, mas para aprender a viver", disse Ryojun Shionuma a Costanza Rizzacasa d'Orsogna.
A prática ascética pode ser dolorosa, escreve o monge, "no entanto, eu não a pratiquei para sofrer, mas para compreender a lei da Natureza, tal como ela é". Por meio do "fluxo natural", explica Shionuma, aprofunda-se "o vínculo com o divino" e abre-se o coração à gratidão. Assim, no caminho, cada passo celebra a dedicação do monge e a benevolência dos Budas e das divindades xintoístas, os kami. Ao longo do percurso de ida e volta, encontram-se 118 santuários dos deuses. E por 118 vezes se reza o Sutra do Coração.
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