09 Junho 2026
EUA e Fifa não explicaram a decisão, tomada em contexto maior de cerceamento aos vistos dos cidadãos do país africano.
A informação é publicada por Brasil de Fato, 08-06-2026.
Omar Abdulkadir Artan, árbitro da Somália escalado para a Copa do Mundo de 2026, foi impedido de entrar nos Estados Unidos e deportado ao chegar ao país governado por Donald Trump. O caso ocorreu nesta segunda-feira (8) logo após Artan desembarcar. Não houve uma justificativa oficial por parte da FIFA ou do governo estadunidense.
Artan é o primeiro representante da Somália a ser escalado para uma Copa do Mundo. Ele foi eleito o melhor árbitro da Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025. Sua carreira inclui atuações em finais da Copa das Nações Africanas (AFCON) de 2023 e um jogo da Liga dos Campeões da CAF.
The Somali referee Omar Abdulkadir Artan, selected by @FIFAWorldCup and distinguished by CAF as the best African referee of 2025, was rejected upon arriving in the United States at Miami airport and deported back to Istanbul.
— Ahmed Shihab-Eldin (@aseisfree) June 8, 2026
This World Cup is the worst. pic.twitter.com/eoISh0nrRY
O árbitro recebeu o visto para os Estados Unidos após mobilização e suporte da embaixada da Somália, que o auxiliou na obtenção de um passaporte diplomático. No entanto, os agentes de imigração barraram sua entrada no país.
Artan perdeu um seminário obrigatório para todos os árbitros da Copa do Mundo de 2026, que foi realizado hoje. O profissional, que iniciou sua viagem no Quênia e passou pela Turquia antes de chegar aos EUA, foi forçado a retornar ao solo turco.
O caso de Omar Artan se insere em um contexto de dificuldades para a entrada de cidadãos de certas nacionalidades nos Estados Unidos. Jornalistas de países africanos e iranianos tiveram vistos negados para a cobertura do Mundial. A seleção do Irã denunciou o governo dos EUA pelo veto de vistos à sua comissão técnica.
Em janeiro de 2026, o governo americano anunciou o fim do Status de Proteção Temporária (TPS) para cidadãos da Somália. Esta medida exigiu que aproximadamente 4 mil somalis, que residiam e trabalhavam no país sob esse tipo de documentação, deixassem os EUA até meados de março.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA justificou a decisão afirmando que a situação na Somália havia melhorado. No entanto, a Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a Somália como um dos países menos desenvolvidos do mundo, com um histórico de quase 35 anos de conflito.
A decisão de encerrar o TPS para somalis ocorreu em meio a uma ofensiva do governo contra a imigração, e um suposto escândalo de fraude na assistência social envolvendo a comunidade somali de Minnesota foi utilizado para endurecer a política migratória na região.
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