Bruxelas alerta para a crise energética: "Choque prolongado, preparem-se para o racionamento"

Dan Jørgensen, ministro dinamarquês da Cooperação para o Desenvolvimento e da Política Climática Global. | Foto: Jennifer Jacquemart - European Commission Audiovisual Service | Wikimedia Commons

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01 Abril 2026

Carta do Comissário Dan Jorgensen aos ministros europeus: "A guerra aumentou as contas de energia em 14 mil milhões de euros num só mês." Os ministros: "Garantiremos a estabilidade."

A informação é de Claudio Tito, publicado por La Repubblica, 01-04-2026

Preparem-se para uma “interrupção no fornecimento” que poderá ser prolongada. Isto significa também racionamento de eletricidade, gás e gasolina. Desta vez, não se trata apenas de um aviso informal; o Comissário Europeu da Energia, Dan Jorgensen, enviou uma carta oficial aos 27 ministros antes da reunião do Conselho de Ministros, que decorreu ontem por videoconferência. Em suma, a Guerra do Golfo está a afetar a Europa e os seus cidadãos economicamente.

Consequências de longo prazo

Segundo Jorgensen, é importante, portanto, evitar "medidas que possam aumentar o consumo de combustível, limitar a livre circulação de derivados de petróleo ou desestimular a produção das refinarias da UE". Na carta, enviada anteontem, o representante executivo europeu insta à conservação do petróleo bruto e "avaliar a possibilidade de aumentar o uso de biocombustíveis, o que poderia ajudar a substituir os derivados de petróleo e aliviar a pressão sobre o mercado". É evidente que, além dos potenciais problemas de abastecimento, existe também um problema de preço. Além disso, tudo isto acontece no momento em que os 27 Estados-Membros começam a estocar metano para o próximo inverno. Justamente por isso, é necessária uma ação coordenada para evitar que os parceiros concorram entre si.

Austeridade e soluções europeias

Para tentar reduzir o consumo, Jorgensen menciona o recente manual da AIE (Agência Internacional de Energia). "Quanto mais pudermos economizar petróleo, especialmente diesel", explicou ele após a reunião ministerial, "melhor para todos". Em outras palavras, seria melhor — como defende a AIE — usar o transporte público, dirigir devagar, reduzir a velocidade e incentivar o teletrabalho. Caso haja uma escassez real de suprimentos, o manual que a Comissão preparou no início da guerra na Ucrânia já está pronto para abordar o racionamento de energia, inclusive por horário do dia. "A crise", alertou Jorgensen, "não será passageira e durará mais que a guerra, porque a infraestrutura da região foi destruída. Mesmo que houvesse paz amanhã, não poderíamos retornar à normalidade em um futuro próximo."

Ao final da cúpula de ontem, os 27 buscaram tranquilizar a população: "Nosso fornecimento de energia é seguro e a União Europeia já possui os instrumentos e as regras para garantir sua estabilidade". Mas as palavras do Comissário permanecem, e por isso concordaram com "uma resposta forte e coordenada", mantendo o objetivo de uma transição verde para fontes de energia renováveis. Cabe também ressaltar que, desde o início do conflito, os preços na UE aumentaram cerca de 70% para o gás e 50% para o petróleo , um valor total superior a € 14 bilhões. São números impressionantes. Eles dificultam a vida dos cidadãos, e é preciso garantir proteção para eles, especialmente para os "mais vulneráveis".

Além disso, a Grã-Bretanha também se prepara para introduzir medidas semelhantes, demonstrando que o problema é continental e não se limita à União Europeia. "O impacto da crise no Oriente Médio sobre o setor energético italiano, neste momento", esclareceu o Ministro Pichetto Fratin, "não se reflete na segurança do abastecimento de petróleo e gás, mas sim nos preços. No caso do GNL, o ataque às instalações de produção de Las Raffan, no Catar, levou à interrupção dos contratos de importação de GNL em nosso terminal de regaseificação em Rovigo por força maior", e "estamos tentando substituir os volumes faltantes com gás proveniente de outras rotas". Esta situação certamente não é tranquilizadora.

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