O Papa pede aos bispos franceses “soluções concretas” para acolher “generosamente” os tradicionalistas sem romper com o Concílio Vaticano II

Foto: Cathopic

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26 Março 2026

Em relação aos abusos: "Após vários anos de crises dolorosas, chegou a hora de olhar decisivamente para o futuro e de nos dirigirmos aos sacerdotes da França, que foram severamente postos à prova, com uma mensagem de encorajamento e confiança."

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 25-03-2026.

“Que o Espírito Santo vos sugira soluções concretas que vos permitam incluir generosamente aqueles sinceramente apegados ao Vetus Ordo, respeitando as diretrizes estabelecidas pelo Concílio Vaticano II a respeito da Liturgia.” Este é o mandato que Leão XIV, por meio de carta assinada pelo secretário de Estado, Pieto Parolin, dirigiu aos bispos franceses reunidos em sessão plenária.

Este alerta soma-se à preocupação do Papa com a questão dos abusos, os dois principais temas abordados pelos prelados franceses. Em sua mensagem, o Papa assegura que está prestando "atenção especial" à "delicada questão da liturgia" no contexto do crescimento, particularmente visível na França, de comunidades ligadas ao Vetus Ordo, e com a espada de Dâmocles da consagração de bispos lefebvristas pairando sobre elas. Essa consagração, que sabemos que ocorrerá em 1º de julho no Seminário de Écône, representaria uma escalada ainda maior do cisma e a excomunhão dos responsáveis.

A este respeito, Leão XIV considera “preocupante que uma ferida dolorosa continue a abrir-se na Igreja relativamente à celebração da Missa, o próprio sacramento da unidade”. Para a curar, acrescenta a mensagem do Papa, “é sem dúvida necessária uma nova forma de olhar uns para os outros, uma maior compreensão das sensibilidades uns dos outros; uma forma de olhar uns para os outros, rica na sua diversidade, que permita aos irmãos e irmãs acolherem-se mutuamente na caridade e na unidade da fé”.

Além disso, Prevost aborda a questão da educação na França, num contexto de “crescente hostilidade em relação às escolas católicas, cuja própria identidade está sendo questionada”, e as exorta a “perseverar a longo prazo com as medidas preventivas já tomadas” em relação ao abuso sexual de menores, sem que “os padres culpados sejam excluídos da misericórdia”. Ademais, afirma: “Após vários anos de crises dolorosas, chegou a hora de olhar resolutamente para o futuro e oferecer aos padres da França, que foram tão severamente testados, uma mensagem de encorajamento e confiança”.

O Papa conclui sua carta assegurando que “reza por todos os católicos na França, por seu clero, para que perseverem na fé e na corajosa proclamação do Evangelho, em tempos certamente difíceis, mas nos quais não faltam sinais de esperança e da presença de Deus nos corações”.

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