Seguir Jesus leva à cruz. Artigo de José Antonio Pagola

Foto: Samuel McGarrigle | Unsplash

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27 Março 2026

"O Evangelho não pode ser vivido impunemente. O Reino de Deus, que é um reino de fraternidade, liberdade e justiça, não pode ser construído sem provocar rejeição e perseguição por parte daqueles que não têm interesse em qualquer mudança".

O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, ao Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 26,14, 27-66, que corresponde ao Domingo de Ramos, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 23-03-2026.

Eis o comentário.

Estamos tão familiarizados com a cruz do Calvário que ela já não nos causa mais impacto. O hábito domestica e diminui tudo. Por isso, é bom recordar alguns aspectos do Crucificado que foram esquecidos.

Comecemos por dizer que Jesus não morreu de morte natural. Sua morte não foi o fim esperado de sua vida biológica. Jesus foi morto violentamente. Tampouco morreu vítima de um acaso ou acidente, mas sim executado após um julgamento conduzido pelas forças religiosas e civis mais influentes daquela sociedade.

Sua morte foi consequência da reação que provocou com suas ações livres, fraternas e solidárias para com os membros mais pobres e abandonados daquela sociedade.

Isso significa que o Evangelho não pode ser vivido impunemente. O Reino de Deus, um reino de fraternidade, liberdade e justiça, não pode ser construído sem provocar rejeição e perseguição por parte daqueles que não têm interesse em qualquer mudança. A solidariedade com os indefesos é impossível sem sofrer a reação dos poderosos.

Seu compromisso em criar uma sociedade mais justa e humana era tão concreto e sério que até mesmo sua vida estava em risco. E, no entanto, Jesus não era um guerrilheiro, nem um líder político, nem um fanático religioso. Ele era um homem em quem o amor insondável de Deus pela humanidade se materializava e se tornava real.

É por isso que agora sabemos quais forças se sentem ameaçadas quando o amor verdadeiro penetra uma sociedade, e como reagem violentamente, tentando suprimir e sufocar as ações daqueles que buscam uma fraternidade mais justa e livre.

O Evangelho será sempre perseguido por aqueles que colocam a segurança e a ordem acima da fraternidade e da justiça (farisaísmo). O Reino de Deus será sempre impedido por qualquer força política que se considere de poder absoluto (Pilatos). A mensagem de amor será rejeitada em sua essência por qualquer religião em que Deus não seja o Pai daqueles que sofrem (sacerdotes judeus).

Seguir Jesus sempre leva à cruz; significa estar disposto a suportar conflitos, controvérsias, perseguições e até mesmo a morte. Mas a sua ressurreição revela que uma vida vivida na cruz, até o fim no espírito de Jesus, só tem a ressurreição como recompensa.

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