20 Março 2026
"Esta é a fé daqueles que creem em Jesus: aqueles que sepultamos e abandonamos na morte vivem. Deus não os abandonou. Removamos a pedra com fé. Nossos mortos estão vivos!"
O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, ao Evangelho de Jesus Cristo segundo João 11, 1-45, que corresponde ao 5º Domingo da Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 16-03-2026.
Eis o comentário.
A despedida final de um ente querido inevitavelmente nos mergulha em luto e impotência. É como se toda a nossa vida tivesse sido destruída. Não há palavras nem argumentos que possam nos consolar. O que nos resta esperar?
O relato de João não tem apenas a intenção de narrar a ressurreição de Lázaro, mas sobretudo de despertar a fé, não para que acreditemos na ressurreição como um evento distante que acontecerá no fim do mundo, mas para que "vejamos", a partir de agora, que Deus está infundindo vida naqueles que sepultamos.
Jesus chega “soluçando” ao túmulo de seu amigo Lázaro. O evangelista diz que “está coberto por uma pedra”. Essa pedra bloqueia nosso caminho. Nada sabemos sobre nossos amigos mortos. Uma pedra separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Só nos resta esperar o dia final para ver se algo acontece.
Esta é a fé judaica de Marta: "Eu sei que meu irmão ressuscitará na ressurreição, no último dia." Isso não basta para Jesus. "Tire a pedra." Vamos ver o que acontece com aquele que você sepultou. Marta pede a Jesus que seja realista. O morto começou a se decompor e "cheira mal". Jesus responde: "Se você crer, verá a glória de Deus." Se a fé despertar em Marta, ela poderá "ver" que Deus está dando vida ao seu irmão.
“Eles removem a pedra”, e Jesus “levanta os olhos”, convidando a todos a erguerem o olhar para Deus antes de entrarem com fé no mistério da morte. Ele parou de chorar. Ele “dá graças” ao Pai porque “Ele sempre o ouve”. O que ele quer é que aqueles ao seu redor “creiam” que ele é aquele enviado pelo Pai para trazer uma nova esperança ao mundo.
Então ele “grita em alta voz: ‘Lázaro, vem para fora!’” Ele quer que Lázaro saia para mostrar a todos que está vivo. A cena é chocante. Lázaro tem “as mãos e os pés atados com faixas de pano” e “o rosto envolto em um pano”. Ele carrega os sinais e os grilhões da morte. No entanto, “o morto sai” por vontade própria. Ele está vivo!
Esta é a fé daqueles que creem em Jesus: aqueles que sepultamos e abandonamos na morte vivem. Deus não os abandonou. Removamos a pedra com fé. Nossos mortos estão vivos!
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