22 Março 2026
"No Evangelho de hoje (João, 11, 1-45), da morte e revivificação de Lázaro, já se anunciam os mistérios celebrados na Semana Santa: a dialética de vida/sofrimento/morte/ressurreição", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ.
Eis o comentário
A morte assusta. Nossa finitude incomoda. Helio Pellegrino (1924 -1988), psicanalista, dizia que morrer era uma "ruptura drástica da forma". Minha amiga Fernanda Montenegro, nonagenária e muito ativa, diz que "tudo é uma ponte com o próximo. Viver muito é também uma perda imensa".
Somos carne e espírito, corpos constituídos no tempo e no espaço. Vida "sempre desejada, por mais que esteja errada" (Gonzaguinha, 1945-1991).
Helio e Gonzaga Jr já não estão fisicamente entre nós. Mas, seres de luz, continuam presentes, com suas palavras e arte. Transvivemos!
No Evangelho de hoje (João, 11, 1-45), da morte e revivificação de Lázaro, já se anunciam os mistérios celebrados na Semana Santa: a dialética de vida/sofrimento/morte/ressurreição.
Os eventos no pequeno povoado de Betânia são marcados pela presença reivindicante de Maria e Marta, irmãs de Lázaro, junto ao Mestre Jesus; a emoção e choro Dele - humaníssimo! - diante do amigo morto; pela garantia, que só a fé nos dá, da vitória da vida, vencendo o pranto, o túmulo, o apagamento.
A morte anda triunfante hoje em dia: nas guerras destruidoras por domínio e riquezas, nos assassinatos cruéis, nas ações policiais descontroladas e letais, nas doenças que prosperam com as insuficiências da saúde pública e com o colapso ambiental.
Há morte em vida no individualismo galopante, no afã de ganho, mesmo com fraudes, e também nas mentes deprimidas, desalentadas, desencantadas com a existência.
O chamamento de Jesus ao amigo é imperativo, como o das pessoas de bem que nos cercam e a beleza da natureza (apesar de tanto ecocídio): "Lázaro, saia para fora!".
Saiamos, desamarremo-nos, andemos, todo/as! A vida e os semelhantes nos chamam, para que lutemos contra as doenças do nosso tempo!
Leia mais
- Que a compaixão e ressurreição de Cristo ilumine nossas mortes interiores. Comentário de Ana Casarotti
- Nossos mortos estão vivos! Comentário de José Antonio Pagola
- Confesse Jesus, o Cristo, doador da vida eterna. Comentário de Consuelo Vélez
- Fé e vida plena andam de mãos dadas. Comentário de Eduardo de la Serna
- 5º Domingo da Quaresma – Ano A – Mesmo diante da morte, Deus continua chamando a vida a ressurgir