24 Março 2026
"Frei Prevost jamais negou, pelo contrário, sua experiência de fé e zelo, dedicação e fidelidade, comunhão e responsabilidade pela direção da Igreja no continente latino-americano." escreve Frei Luiz Augusto de Mattos, religioso agostiniano brasileiro da Província Nossa Senhora da Consolação, em artigo publicado por Religión Digital, 23-03-2026.
Eis o artigo.
Desde o Concílio Vaticano II e em comunhão com a Igreja do continente latino-americano e caribenho, a Ordem de Santo Agostinho (OSA) tem realizado responsavelmente seu trabalho pastoral de evangelização.
Este trabalho evangelizador sempre foi uma realidade nas diversas áreas de evangelização que a OSA realiza, ou seja, no campo da educação nas escolas, no trabalho pastoral realizado nas diferentes dioceses onde sempre teve paróquias, nas casas de formação da Ordem nas diversas circunscrições agostinianas, no trabalho missionário em zonas fronteiriças, em diversas atividades nas universidades, em comissões que trabalham no campo da justiça e da paz, bem como na recuperação da história da Ordem no continente.
Para esse trabalho, a OSA, em nível continental, conta com uma organização chamada OALA (Organização Agostiniana Latino-Americana), que busca coordenar e promover atividades nessas diversas áreas. Outra iniciativa lançada para fomentar e apoiar ainda mais a renovação das atividades da OSA no continente surgiu da Cúria Geral ao longo de vários anos (Projeto Hipopótamo – Novo Coração).
Para coordenar o trabalho da OALA, são organizados cursos, conferências, assembleias, etc. O conselho diretor é renovado a cada quatro anos.
Um fato é inegável: os esforços de evangelização estão sempre intimamente alinhados com as decisões da Igreja no continente. As resoluções das Conferências Episcopais Latino-Americanas e dos Sínodos são levadas em consideração com grande dedicação e responsabilidade. Nesse sentido, o processo de evangelização considera os documentos de Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida, bem como outros documentos do CELAM e, por exemplo, do Sínodo para a Amazônia. Leva-se em conta também os documentos da Igreja (cartas, encíclicas, exortações) e os ensinamentos de cada Igreja local.
Essa dedicação levou a OSA a estar sempre atualizada na evangelização, em todos os lugares onde está presente. Isso significa viver em harmonia com as decisões e escolhas da Igreja no continente – uma realidade que a leva a abraçar: a opção preferencial pelos pobres; a inculturação no cuidado pastoral por meio do diálogo com diversas culturas e religiões; o trabalho missionário com vários povos indígenas; a presença em favelas e regiões periféricas; a defesa dos direitos dos povos oprimidos e marginalizados, etc. Esse trabalho evangelizador nem sempre é bem compreendido ou aceito pelos setores poderosos e exploradores dos países do continente.
Portanto, quando um frade é perseguido, discriminado ou criticado por seu trabalho evangelizador, isso geralmente se deve a discordâncias de setores que não concordam com a abordagem evangelizadora implementada pela OSA (Ordem de São Francisco de Assis) à luz das decisões da Igreja. A profecia, por exemplo, ao lado dos mais pobres e marginalizados, incomoda a elite, os conservadores e os fundamentalistas da Igreja e da sociedade. O Evangelho é perturbador e escandaloso!
Nesse sentido, quando fotos ou comentários sobre Frei Roberto Prévost, agora Papa Leão XIII, são publicados em uma rede social (Life Site News) com o objetivo de criticar, caluniar ou desacreditar o trabalho que ele realizou como formador, como Geral da OSA, como bispo no Peru, como religioso que participou de eventos como, por exemplo, os da OALA, etc., e até mesmo acusando-o de heresia, isso é simplesmente inadmissível.
Trata-se de ignorar e manipular o que Frei Prevost realmente viveu e praticou como religioso, sacerdote e bispo; somente aqueles que participaram dos eventos podem falar de maneira apropriada, responsável e justa. O resto é pura perseguição e malícia humana. É uma disseminação de informações completamente acrítica e infundada. Frei Prevost jamais negou; pelo contrário, professou sua experiência de fé e zelo, dedicação e fidelidade, comunhão e responsabilidade pela direção da Igreja na América Latina.
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