"Trump está perdendo e precisa pagar para acabar com a guerra". Entrevista com Aaron David Miller, ex-enviado dos EUA para o Oriente Médio

Foto: Gage Skidmore | Wikimedia Commons

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24 Março 2026

Entrevista com o ex-enviado dos EUA para o Oriente Médio. "Para que a intervenção fosse uma vitória, ela precisava gerar uma ruptura, protestos em massa e um regime diferente. Ela falhou."

De acordo com Aaron David Miller, correspondente de longa data do Departamento de Estado para o Oriente Médio, as palavras de Trump "significam que o governo percebeu os limites de seu poderio militar". Resta saber se isso levará, em última análise, a um acordo capaz de restaurar a estabilidade na região: "Certamente não vejo como a guerra possa ser apresentada como uma vitória".

A entrevista é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 24-03-2026.

Eis a entrevista.

Trump diz que está negociando, os iranianos negam.

Se os relatos forem verdadeiros, os paquistaneses são a principal ponte para uma reunião em Islamabad esta semana. Quem participará e qual será o objetivo ainda está sendo definido. Três coisas, porém, são certas.

Qual?

Primeiro, o governo reconheceu os limites da força militar. Segundo, reconhece que o regime, por mais enfraquecido que esteja, não entrará em colapso. Terceiro, o poder iraniano aumentou.

Por quê?

A questão fundamental agora é a reabertura do Estreito de Ormuz. Até que Teerã decidisse quem poderia passar, este era um conflito entre Israel, os EUA e o Irã. Agora isso mudou: não é mais uma guerra de escolha, mas de necessidade. E se o governo pensa que pode garantir uma grande capitulação iraniana na mesa de negociações, está enganado. Depende do que eles querem. Suas exigências públicas provavelmente são inaceitáveis ​​agora, mas acho que Washington entende que uma escalada neste momento não faz sentido. O tempo é um inimigo, não um aliado. Precisamos encontrar uma saída. Se o governo pensa que pode conseguir um acordo melhor depois da guerra, está enganado.

O que acha das condições impostas por Trump?

Sonhos. Se a Guarda Revolucionária permanecer no poder, com um papel reduzido para os clérigos e sem influência dos reformistas, ela será incentivada a manter o Irã à beira de produzir armas nucleares.

O que significa o governo ter compreendido as limitações das forças armadas?

Isso degradou as capacidades iranianas, mas Teerã transformou o espaço geográfico em uma arma muito poderosa. Demonstrou que pode tornar o Golfo inabitável, e agora a questão é qual será o preço que Trump terá que pagar para reabrir o Estreito.

Então não será uma vitória de qualquer forma?

Para que a intervenção fosse uma vitória, era necessário criar uma ruptura, com protestos em massa desenfreados e um regime verdadeiramente diferente. Ela falhou nesse objetivo, e agora os estados aliados do Golfo são mantidos como reféns.

Israel aceitaria um acordo?

Ele fará o que Trump quiser. O objetivo mais importante de Netanyahu não é o Irã, mas sim a reeleição, e sem Trump ele não consegue fazer isso.

O que acontece se as negociações falharem?

Os ataques continuarão, talvez com uma redução nos bombardeios, seguida de assassinatos de líderes ou outras operações, como ataques cibernéticos. Talvez os iranianos comecem a atacar americanos e israelenses no exterior.

Os fuzileiros navais também estão vindo.

Eles vão ocupar Kharg, e depois? É improvável que haja uma operação terrestre capaz de alterar o equilíbrio de poder. Se os EUA não fecharem o acordo agora, a situação não vai melhorar em algumas semanas.

Quais são as perspectivas para o Oriente Médio?

Nada indica que uma nova era começará melhor do que a anterior.

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