09 Março 2026
"Assim, a guerra continua a falar principalmente por meio de seus números. Números que, por trás de sua frieza, contam uma única verdade: a extensão da destruição e da dor humana", escreve Tonio Dell’Olio, escreve Tonio Dell’Olio, padre italiano, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, publicado por Mosaico Di Pace, 06-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Querem nos fazer acreditar que a guerra é estratégia, geopolítica, cálculo militar. Em vez disso, é contabilidade de vidas destruídas. Números que pesam como pedras. Em Minab, no sul do Irã, uma escola primária feminina foi devastada nos primeiros bombardeios da guerra. As buscas nos escombros duraram 28 horas. Vídeos e fotografias verificados por investigações internacionais mostram mochilas de meninas encharcadas de sangue e corpos enfileirados nos necrotérios. Segundo fontes locais, somente naquela cidade as vítimas seriam pelo menos 175. O número total de mortos divulgado pelo Crescente Vermelho aponta para mais de 1.230 no Irã. Entre eles, muitos civis e crianças.
Em Teerã, novos bombardeios atingiram uma escola de ensino médio: dois estudantes não sobreviveram. Enquanto isso, a guerra não para nas fronteiras. No Líbano, a contagem oficial registra 102 mortos e 638 feridos. Em Israel, um míssil que caiu em Beit Shemesh provocou 10 vítimas civis e dezenas de feridos. Esses números se sucedem como boletins meteorológicos, mas cada um carrega um nome, uma família, uma história. No entanto, tudo isso acontece quase em silêncio: poucas testemunhas internacionais, a internet frequentemente fora do ar, imagens que são transmitidas com muita dificuldade. Assim, a guerra continua a falar principalmente por meio de seus números. Números que, por trás de sua frieza, contam uma única verdade: a extensão da destruição e da dor humana.
Leia mais
- A investigação dos EUA aponta para a "provável" responsabilidade do seu Exército no massacre de 168 pessoas numa escola para meninas no Irã
- Parolin sobre o Irã: "Guerras preventivas correm o risco de incendiar o mundo"
- "Vamos parar antes que seja tarde demais". O discurso de Pedro Sánchez, presidente do governo da Espanha
- Sánchez responde a Trump: "A posição da Espanha pode ser resumida nestas palavras: 'Não à guerra'"
- Sánchez responde a Trump com um “não à guerra”: “Não seremos cúmplices por medo de represálias”
- Com essa última agressão, o colapso do direito e da razão. Artigo de Luigi Ferrajoli
- O fim da ordem mundial. Artigo de Raniero La Valle
- "Uma guerra mundial pode começar mesmo que ninguém a queira". Entrevista com Florence Gaub
- "É assim que o direito internacional deixa de vigorar". Entrevista com Anne Applebaum
- "Estamos testemunhando o início do fim de uma velha visão de mundo". Entrevista com Jeremy Rifkin