27 Fevereiro 2026
A Quaresma é uma oportunidade para o arrependimento. Isso aparentemente também foi reconhecido pelo líder do retiro deste ano no Vaticano. O monge trapista norueguês Erik Varden não está poupando os cardeais.
A informação é publicada por katolisch.de, 25-02-2026.
Falhas internas e decadência estão causando mais danos à Igreja do que aos seus oponentes no mundo secular. Essa é a tese com a qual o chefe do retiro quaresmal deste ano no Vaticano, o trapista norueguês Erik Varden, confrontou a liderança da Cúria Romana. "Há colapsos terrivelmente fétidos, em cujas consequências os culpados perecem, deixando destruição em seu rastro. E isso costuma ser extenso e duradouro, arrastando consigo muitas pessoas inocentes", afirmou Varden, segundo um manuscrito divulgado pelo Vaticano na quarta-feira.
O mal da Igreja vem de dentro.
Ele prosseguiu: “Nada causou maior dano à Igreja e comprometeu mais a nossa reputação do que a corrupção que surgiu dentro da nossa própria casa. A pior crise para a Igreja não foi provocada pela oposição dos secularistas, mas pela própria corrupção da Igreja. As feridas infligidas precisam de tempo para cicatrizar; elas clamam por justiça e lágrimas.” Em particular, Varden abordou graves escândalos morais em comunidades religiosas mais recentes. Em vários desses grupos, graves crimes sexuais, especialmente entre a geração fundadora, vieram à tona nos últimos anos.
Varden enfatizou que essas comunidades causaram inicialmente uma impressão muito positiva. Ele questionou como era possível que, apesar dos inegáveis "vestígios de santidade", tivessem ocorrido tais "desenvolvimentos distorcidos". Como solução, recomendou não encarar a vida espiritual como algo separado do restante da existência. Ele advertiu enfaticamente contra qualquer forma de dualismo que separe corpo e alma. "Devemos sempre lembrar que o Verbo se fez carne para que nossa existência física pudesse ser permeada pelo Verbo."
Durante o retiro quaresmal de uma semana no Vaticano, os principais assessores do Papa Leão XIV assistem diariamente a palestras espirituais em uma capela vaticana. Essa prática é observada no Vaticano desde 1929. O líder do retiro deste ano, escolhido pelo Papa, é o monge trapista Erik Varden (51). Desde 2019, ele é bispo de Trondheim, na Noruega.
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