24 Fevereiro 2026
A assembleia plenária da Conferência Episcopal Alemã começa nesta segunda-feira. Embora a eleição de um novo presidente ofusque tudo, há outros temas importantes – não apenas o futuro sinodal.
A reportagem é de Mathias Altmann, publicada por Katholisch, 23-02-2026.
O momento chega na terça-feira. Se tudo correr bem, o recém-eleito presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK) deverá dirigir-se à imprensa por volta das 11h30 e fazer sua primeira declaração. Muitos observadores tentarão então discernir se o novo presidente dará alguma indicação do rumo que pretende seguir – particularmente no que diz respeito ao processo de reforma que a Igreja na Alemanha iniciou há alguns anos.
Compreensivelmente, a questão de quem será o novo presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK) está recebendo a maior atenção na assembleia plenária de primavera deste ano, em Würzburg. A sessão será aberta nesta segunda-feira à tarde pelo atual presidente, dom Georg Bätzing (64), de Limburg. Ele anunciou no final de janeiro que não estaria disponível para um novo mandato. Recentemente, explicou suas razões em uma entrevista ao jornal "Die Zeit": o cargo exige muita energia; agora precisa de "uma lufada de ar fresco".
NEW: Bishop Heiner Wilmer elected today as the new chairman of German Bishops' Conference
— Michael Haynes 🇻🇦 (@MLJHaynes) February 24, 2026
+Wilmer is 1 of the most heterodox voices in nation: strongly supports German Synodal Way, incl female ordination, same-sex blessings, changing moral teaching
Was rumored to be Pope… pic.twitter.com/8efgTeXIGK
Pequena decisão direcional
Uma eleição como esta sempre pode desenvolver sua própria dinâmica. No entanto, observando as maiorias políticas – pelo menos em linhas gerais – entre os bispos alemães, pode-se prever que o cargo provavelmente será preenchido por alguém que apoie fundamentalmente o Caminho Sinodal. É bem possível, porém, que o futuro presidente lide com algumas questões de maneira um pouco diferente de seu antecessor. Assim, a eleição certamente será uma decisão menor em relação à direção da Igreja.
O presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK) é, na verdade, apenas um "representante de classe" e oficialmente não possui poderes além dos dos demais bispos diocesanos. Contudo, o cargo é de grande importância: o presidente coordena os trabalhos da Conferência Episcopal, representa-a perante políticos e o público, e define significativamente sua direção estratégica em questões pastorais e sociais. Além disso, espera-se que ele atue como mediador dentro da conferência, que também abrange outras posições teológicas e político-eclesiásticas.
Os críticos acusam Bätzing de não ter feito exatamente isso. Argumentam que, particularmente no que diz respeito ao Caminho Sinodal, ele se posicionou unilateralmente ao lado daqueles que defendem reformas abrangentes dentro da Igreja. Portanto, ele também tem alguma responsabilidade pelo fato de a Conferência Episcopal estar dividida em muitas questões e não falar mais a uma só voz. Por exemplo, os (arce)bispos de Colônia, Regensburg, Passau e Eichstätt retiraram sua participação do processo do Caminho Sinodal e expressaram repetidamente suas críticas em outras questões também.
Para o novo presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK), a tarefa mais importante – como vários bispos têm enfatizado recentemente – será a de superar as divisões e integrar melhor a minoria conservadora dentro da DBK. Além disso, especialmente no que diz respeito ao Caminho Sinodal em curso, boas relações com Roma e a Igreja universal são essenciais. Dom Udo Markus Bentz (58), arcebispo de Paderborn, dom Heiner Wilmer (64), bispo de Hildesheim e dom Franz Jung (59), bispo de Würzburg, são considerados candidatos promissores.
Votação sobre leis
Outro foco desta assembleia plenária é a Conferência Sinodal. Ela surge diretamente do Caminho Sinodal e tem como objetivo estabelecê-la como um órgão permanente de âmbito nacional. Nela, bispos, clérigos, membros de ordens religiosas e leigos discutirão e tomarão decisões conjuntas sobre questões pastorais e estruturais que a Igreja enfrenta na Alemanha. Como exatamente este último ponto — ou seja, a tomada de decisões conjunta por clérigos e leigos — pode funcionar dentro da Igreja foi tema de intensos debates, inclusive com Roma.
Em Würzburg, os bispos devem agora decidir se adotam ou não os estatutos da Conferência Sinodal. Caso os adotem, o Vaticano terá de agir: o reconhecimento oficial do Vaticano é necessário para que o órgão possa se constituir. Como os pontos-chave exigidos por Roma já foram incorporados aos estatutos durante o processo de troca de informações com as autoridades vaticanas, os bispos alemães estão, em geral, confiantes de que o reconhecimento romano será concedido. Se tudo correr conforme o planejado, a Conferência Sinodal deverá iniciar seus trabalhos em novembro próximo.
A situação política na Alemanha, na Europa e no mundo também será uma preocupação para os bispos alemães. Poucos dias antes da assembleia plenária, o presidente cessante, Bätzing, juntamente com os presidentes das conferências episcopais italiana, francesa e polonesa, publicou uma declaração na qual recordou os pais fundadores católicos da integração europeia e defendeu uma Europa forte. Num mundo "dilacerado e polarizado por guerras e violência", "a Europa deve reencontrar a sua alma para oferecer ao mundo a sua contribuição indispensável para o bem comum".
Outros temas na agenda incluem o combate ao abuso sexual e a situação das minorias cristãs no Oriente Médio. Além disso, os bispos pretendem discutir um guia preliminar para promover o voluntariado e o engajamento cívico. Para além da eleição de um novo presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK), outra questão de pessoal está na agenda: os bispos decidirão se reelegem Beate Gilles como secretária-geral da DBK.
Independentemente da origem do futuro presidente, não faltam tarefas na sede da Conferência Episcopal Alemã (DBK), na Kaiserstrasse, em Bonn. Dentro da Igreja, questões urgentes e persistentes incluem o número de fiéis que a abandonam, a diminuição dos recursos financeiros e o enfrentamento do escândalo de abusos. Fora da Igreja, os desafios residem em uma sociedade dividida, na ansiedade de muitas pessoas em relação ao futuro e no crescente extremismo político. Portanto, o novo presidente será avaliado não apenas pela forma como dará continuidade ao processo de reforma dentro da Igreja na Alemanha, mas também pela sua capacidade de dar voz à Igreja na esfera pública e na política nestes tempos. Os observadores estarão atentos a partir de terça-feira.
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