Cardeal Radcliffe aos seus colegas bispos: o Papa não nos serve de nada se ficarmos a discutir entre nós

Timothy Radcliffe | Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • O Papa descreve o Concílio Vaticano II como a "estrela polar do caminho da Igreja" e apela ao progresso na "reforma eclesial"

    LER MAIS
  • Papa Leão XIV: Um golpe nos poderosos

    LER MAIS
  • “A memória sem cérebro desafia a associação quase automática entre memória e sistema nervoso central”, exemplifica o pesquisador

    Os mistérios mais atraentes da neurobiologia vegetal são os que questionam as categorias do pensamento moderno. Entrevista especial com Guilherme Soares

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Janeiro 2026

Em sua meditação inicial no consistório extraordinário, o cardeal britânico Timothy Radcliffe fez um apelo à união entre os cardeais. Conforme noticiado na quarta-feira pelo portal espanhol Vida Nueva, Radcliffe afirmou que "não seremos de nenhuma utilidade para o Santo Padre se a barca de Pedro estiver cheia de discípulos em conflito". "Se vivermos juntos em amor e paz, mesmo quando discordarmos, Deus estará verdadeiramente presente, mesmo quando parecer ausente."

A informação é publicada por Katholisch, 08-01-2026.

Radcliffe exortou seus companheiros frades a "permanecerem na barca de Pedro com seu sucessor enquanto ele enfrenta as tempestades de nosso tempo". O dominicano advertiu: "Não podemos ficar na praia e dizer: 'Eu não navegaria hoje' ou 'Eu escolheria um barco diferente'".

A Igreja está sendo abalada por suas próprias tempestades

O religioso de 80 anos alertou que as pessoas estavam vivendo em "tempos de terríveis tempestades", citando a violência e as guerras como exemplos. O abismo entre ricos e pobres estava aumentando, e a ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial estava ruindo. Também não estava claro o que a inteligência artificial traria para o futuro. "Se não estamos nervosos, deveríamos estar", acrescentou. "A própria Igreja está sendo abalada por suas próprias tempestades, por abusos sexuais e divisões ideológicas".

Radcliffe salientou que no consistório "alguns de nós defenderão a memória e valorizarão a tradição". Outros, porém, "se alegrarão mais com a surpreendente novidade de Deus, mas a memória e a novidade estão inextricavelmente ligadas na dinâmica da vida cristã", disse o dominicano. As conversas tornam-se verdadeiramente vibrantes quando ambos os lados são reunidos. "Não há competição", enfatizou o cardeal.

Radcliffe liderou o retiro preparatório para as duas sessões do Sínodo Mundial sobre Sinodalidade. Em 2024, o Papa Francisco o elevou ao cardinalato. O próprio britânico participou do conclave que elegeu o Papa Leão XIV. Ele é considerado um líder progressista na política da Igreja. Em entrevista ao jornal londrino "The Telegraph" na terça-feira, Radcliffe defendeu a rápida ordenação de mulheres ao diaconato na Igreja Católica. Também afirmou que, em sua opinião, a orientação sexual de uma pessoa não é particularmente importante. "Não me preocupo se alguém é gay – eu me preocuparia se essa pessoa não amasse ninguém". Na quarta e quinta-feira, os cardeais da Igreja Católica se reunirão com o Papa Leão XIV para discutir os temas da missão e da sinodalidade.

Leia mais