Papa Leão XIV: Um golpe nos poderosos

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08 Janeiro 2026

Entrando em campo contra todas as guerras. Para a Epifania, o Papa fecha a Porta Santa na Basílica Vaticana e encerra o Ano Santo (mais de 33 milhões de peregrinos no Jubileu dos Dois Papas) estigmatizando "delírios de onipotência, agressão, novas formas de escravidão, dominação dos violentos". Leão XIV adverte contra as "seduções dos poderosos", nos exorta a "buscar a paz" e alerta: "Em um mundo perigoso e repulsivo, o medo cega e uma economia distorcida lucra com isso. O mercado transforma tudo em negócio".

A informação é de Giacomo Galeazzi, publicada por La Stampa, 07-01-2026.

Não à "indústria da guerra e da desigualdade", sim à "artesanato da paz e da equidade".

Precisamos de "tecelões da esperança" para que "possamos trilhar um caminho diferente rumo ao futuro". Na Basílica de São Pedro, estão presentes o Presidente da República, Sergio Mattarella, o Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e o Subsecretário, Alfredo Mantovano. Hoje, será realizado o consistório para delinear a futura direção da Igreja com os cardeais. Ontem, houve a condenação do que Francisco chamou de "o espírito de Caim". Na pauta estão a Ucrânia, a Terra Santa, a Venezuela e dezenas de conflitos esquecidos no Sul global. O Pontífice já esclareceu a estratégia: "Há necessidade de multilateralismo e unidade entre os países. Tentar chegar a um acordo entre Kiev e Moscou sem incluir a Europa é irrealista e muito depende das garantias de segurança que precisam ser encontradas. Nem todos entendem isso, mas esta é uma oportunidade para todos os líderes europeus se unirem."

O prefeito do Vaticano, Marcello Semeraro, observou ao jornal La Stampa: "Em cada cenário de crise, a neutralidade para a Santa Sé não significa indiferença, mas trabalho silencioso sem excluir a possibilidade de paz, envolvendo todos." E acrescenta: "A abordagem continua sendo a de abrir espaço para a diplomacia, afastando-a das armas. Primeiro Francisco e agora Leão estão buscando pontos em comum e oportunidades para aproximar as partes. Para estarmos juntos sem pré-condições, começando pelas questões concretas a serem resolvidas, como aconteceu com os corredores alimentares e de saúde. Um desejo sincero de diálogo só pode ser o desejo de se encontrar em vez de confrontar. Assim, a comunidade internacional poderá trabalhar em todos os lugares para erradicar as causas do conflito e o desejo destrutivo de conquista." E na sexta-feira, o Papa falará sobre os desafios geopolíticos aos embaixadores acreditados junto à Santa Sé.

Leão confia em uma "humanidade transformada não por ilusões de onipotência, mas pelo Deus que, por amor, se fez carne. A fidelidade de Deus ainda nos surpreenderá. Seremos a geração da aurora se não reduzirmos nossas igrejas a monumentos, se nossas comunidades forem lares, se resistirmos unidos às seduções dos poderosos. Os violentos não podem dominar os caminhos divinos, nem os poderes do mundo podem bloqueá-los. Esta é a geopolítica da misericórdia", comenta Monsenhor Marco Malizia, conselheiro eclesiástico da Farnesina: "Isso significa ficar do lado dos perdedores da humanidade, de todas as populações fracas e marginalizadas. A justiça social é necessária para a paz em terras devastadas por conflitos como o Chifre da África." Leão disse no Angelus: "Estranhos e adversários se tornam irmãos e irmãs; em vez de desigualdades, que haja equidade; Em vez da indústria da guerra, que se afirme a arte da paz." O respeito pela soberania aplica-se tanto no Oriente como no Ocidente. A possibilidade de uma viagem papal a Kiev permanece.

"O estilo de Leão XIV é cuidadoso para obter o máximo possível do diálogo sem gestos que possam comprometer o trabalho de pacificação", observa o Cardeal Semeraro. A diplomacia papal, através da Secretaria de Estado e das nunciaturas, opera em silêncio, não em clamor. Em cada crise, o Papa não perde oportunidades que, evangelicamente, considera ocasiões de Graça.

O cardeal continua: "A neutralidade deve ser entendida como uma preocupação em não fechar portas e em agir para mediar. Não é a atitude de alguém que não consegue distinguir o certo do errado. A missão do Papa implica a responsabilidade de observar todos os setores para discernir caminhos para a paz. Tomar partido em detrimento dos outros prejudica os projetos de conciliação." Ser neutro significa respeitar a complexidade de uma situação, manter os canais abertos para o diálogo e captar os sinais apropriados para fazer algo bom, de modo a escapar à lógica perversa da força. Não significa colocar agressores e atacados no mesmo nível. Buscar a paz exige praticar a justiça, não equiparar posições que já são claras aos olhos da humanidade. Mesmo em Gaza."

A mesma abordagem é necessária para salvaguardar a "soberania do povo venezuelano", superando "a geopolítica da arrogância" e a "violência como meio de resolver disputas. Isso se aplica em todos os lugares."

Com os olhos voltados para as negociações sobre a Ucrânia e suas implicações humanitárias, o cardeal esclareceu: "Uma guerra na Europa, oito décadas após o conflito mundial, é ainda mais dolorosa para o Papa. Ela coloca dois povos cristãos um contra o outro. Leão XIV comprometeu-se pessoalmente a encontrar espaços para a mediação." No Sínodo da Igreja Greco-Católica, ele falou de um conflito "sem sentido", abençoou um grupo de mães de soldados mortos em combate e cantou o Pai Nosso em ucraniano. Ele se afastou "da espiral diabólica que se alimenta do medo, da lógica da guerra permanente, do rearmamento, da vingança e da agressão preventiva".

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