O Consistório após o Jubileu: Leão XIV reencontra os cardeais eleitores

Foto: Vatican Media

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07 Janeiro 2026

A última Porta Santa do Vaticano foi fechada ontem, com a presença do Chefe de Estado, o Papa, que reuniu cardeais de todo o mundo durante dois dias.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 07-01-2026.

Com a Porta Santa fechada, Leão XIV dá início prontamente ao projeto de reformas eclesiais. O Papa encerrou solenemente o Jubileu da Esperança ontem, permanecendo pessoalmente diante das portas de bronze da Basílica de São Pedro, por onde passaram milhões de peregrinos ao longo do Ano Santo. Esta tarde, ele se reunirá por dois dias com todos os cardeais do mundo, que convocou a Roma para discutir as principais questões que enfrentará durante seu pontificado.

Questões solenes

A cerimônia realizada ontem, Solenidade da Epifania, encerrou-se com a recitação do Angelus de forma especial na galeria superior da Basílica de São Pedro. O Presidente da República, Sergio Mattarella, acompanhado de sua filha Laura, esteve presente. "Se não reduzirmos nossas igrejas a monumentos, se nossas comunidades forem lares, se resistirmos unidos à sedução dos poderosos, então seremos a geração da aurora", disse Robert Francis Prevost em sua homilia, "e serviremos a uma humanidade magnífica, transformada não por ilusões de onipotência, mas pelo Deus que, por amor, se fez carne". A Porta Santa "testemunhou o fluxo de inúmeros homens e mulheres", continuou o Papa: "Quem eram eles e o que os motivou? O que encontraram?" E novamente: "Há vida em nossa Igreja? Há espaço para o que nasce? Amamos e proclamamos um Deus que nos coloca em um novo caminho?"

Oito meses depois

Essas questões ressoarão no novo Salão Sinodal, onde o primeiro consistório extraordinário de Leão XIV será realizado hoje e amanhã, a portas fechadas. Trata-se de uma reunião de cardeais (atualmente 245 de todo o mundo, mas pode haver mais de uma deserção entre os mais antigos) realizada, segundo o direito canônico, "quando as necessidades particulares da Igreja ou o tratamento de questões particularmente graves assim o exigirem". Oito meses após a fumaça branca, o novo Papa está reunindo seus eleitores, bem como aqueles que tradicionalmente são seus primeiros conselheiros, para tratar de uma solicitação que surgiu com força durante as discussões que antecederam o Conclave. Embora muitos cardeais — com exceção dos mais conservadores — tenham reconhecido o mérito de Francisco em instaurar uma reforma muito necessária na Igreja, da moral sexual à liturgia, do diálogo inter-religioso à descentralização do poder para conferências episcopais nacionais, muitos, mesmo entre seus admiradores, criticaram seu estilo de governar como pouco colegiado e excessivamente solitário.

Consistórios e Pontífices

O Papa jesuíta, de fato, cercou-se de um conselho de nove cardeais de cinco continentes, o chamado C9, e impulsionou assembleias sinodais como ninguém antes. Contudo, em seu pontificado de doze anos, convocou apenas dois consistórios extraordinários: em 2014, para consultar os cardeais sobre as questões relativas à pastoral familiar, posteriormente exploradas pelo Sínodo, e em 2022, para revisar a reforma já aprovada da Cúria Romana. Esses consistórios extraordinários eram — diga-se de passagem — raros mesmo em pontificados anteriores: em mais de um quarto de século, João Paulo II convocou seis, para tratar de temas como a renovação da Cúria, a situação financeira, as ameaças à vida e o desafio das seitas. Bento XVI nem sequer teve um, mas precedeu alguns consistórios ordinários no início do seu pontificado – isto é, as cerimónias de nomeação de novos cardeais – com um dia “de reflexão e oração” (em 2014, por exemplo, Ratzinger consultou os cardeais sobre a sua intenção de liberalizar a Missa em latim).

Quatro tópicos na agenda

Leão XIV, que desde o início deixou claro que não deseja ser um "líder solitário", convocou um consistório extraordinário. Este não é um órgão deliberativo, mas, explicou o Vaticano, promoverá "o discernimento comum e oferecerá apoio e aconselhamento ao Santo Padre no exercício de sua elevada e importante responsabilidade de governar a Igreja universal". Embora não haja uma agenda oficial, em uma carta confidencial enviada aos cardeais antes do Natal, o Papa já identificou quatro áreas temáticas que, suscitando preocupações entre os cardeais mais conservadores, refletem o ímpeto reformista de Francisco.

A evangelização será debatida, começando com a exortação apostólica Evangelii Gaudium, o texto programático com o qual Francisco exortou a Igreja a abandonar suas próprias certezas, cuidando dos pobres e dialogando com a sociedade. A reforma da Cúria Romana, a partir da constituição apostólica de Bergoglio, Praedicate Evangelium, também será discutida da sinodalidade, o método pelo qual o Papa argentino também envolveu leigos e mulheres em discussões sobre temas candentes na Igreja; e, finalmente, a questão controversa da Missa em latim, apoiada pelos tradicionalistas e rejeitada pelos progressistas.

Os cardeais terão momentos de discussão, em assembleia e em grupos de trabalho, rezarão juntos e almoçarão juntos (o almoço de quinta-feira com Leão XIV acontecerá no átrio da sala de audiências). O Consistório começa hoje à tarde, às 16h, e termina amanhã à noite, às 19h, com as conclusões do Papa e a recitação do Te Deum.

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