Vaticano mantém as mulheres em “fila de espera”. Artigo de Christoph Paul Hartmann

Basílica de São Pedro | Fonte: Wikicommons

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09 Dezembro 2025

Mais uma comissão sobre o diaconato feminino cujo trabalho chega ao fim sem resultados visíveis. Há fortes indícios de que o Vaticano queira exatamente isso, comenta Christoph Paul Hartmann. Agora, Leão XIV precisaria ser honesto consigo mesmo.

O artigo é de Christoph Paul Hartmann, editor, publicada por katolisch.de, 09-12-2025. 

“Foi bom termos conversado” – é assim que se pode resumir o resultado da Comissão Pontifícia sobre o diaconato feminino. Na linguagem do relatório final: a questão da ordenação de diáconas estaria “aberta a novos aprofundamentos teológicos e pastorais”. A comissão não conseguiu chegar a um acordo nem sobre a ideia de que o caminho ao diaconato estaria fechado às mulheres por causa do fato de Jesus ser homem, nem sobre a abertura desse caminho. Um esclarecimento histórico, diz o texto, não oferece “segurança definitiva” para decisões futuras. Agora caberia ao magistério se pronunciar.

A esse resultado pouco surpreendente não chega apenas esta comissão, instituída pelo Papa Francisco em 2020. Também uma comissão anterior, que trabalhou desde 2016, não deu nenhuma resposta definitiva. Antes disso, a Comissão Teológica Internacional também se ocupou do tema duas vezes – igualmente sem consequência prática.

Há muitos indícios de que o Vaticano deseja exatamente esses não resultados. As comissões são formadas de tal modo que as diferentes posições se neutralizam mutuamente – ou então posições incômodas são simplesmente ignoradas. Ao mesmo tempo, é claro: desde a Igreja primitiva, as mulheres marcaram decisivamente a vida das comunidades. De que modo exatamente, hoje já não pode mais ser reconstruído de forma suficientemente precisa. Soma-se a isso uma tradição misógina de longa data na Igreja, que aos poucos degradou as mulheres a membros de segunda classe. O Papa Leão XIV teria agora a chance de corrigir esse desvio histórico e tratar as mulheres, ao menos no que diz respeito ao diaconato, da mesma forma que os homens. Os argumentos teológicos estão sobre a mesa. A pergunta agora é: ele quer isso?

Por enquanto, não parece. Pois Leão já enfatizou que não tem a intenção de “mudar a doutrina da Igreja sobre este tema”. Trata-se de comodismo, medo – ou ele considera até correta a marginalização das mulheres? Isso permanece como seu segredo. Mas o pontífice precisaria ser honesto consigo mesmo. Afinal, a vez é dele – mas ele prefere continuar deixando as mulheres na fila de espera.

 

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