Brasil deve pensar na demanda global, diz Silveira ao defender petróleo na foz do Amazonas

Foto: Marinelson Almeida | Flickr

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06 Novembro 2024

Não é novidade que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é defensor ferrenho da exploração de petróleo no Brasil “até a última gota”, inclusive em regiões de altíssima sensibilidade ambiental como a foz do Amazonas. A crise climática, causada principalmente pela queima de combustíveis fósseis, que espere.

Dias depois de um parecer técnico do Ibama ter negado novamente a licença para a Petrobras perfurar um poço no bloco FZA-M-59, na foz, Silveira voltou a atacar. Em um debate promovido pela CNN com a participação do presidente do órgão ambiental, Rodrigo Agostinho, o ministro disse que a Petrobras deve pensar na demanda global pelo combustível fóssil e não apenas na do Brasil, informam Folha, Valor e Poder 360.

A informação é publicada por ClimaInfo, 06-11-2024.

Silveira mostra que levou mesmo a sério o ingresso do Brasil na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Uma organização cada vez mais anacrônica, com a distribuição da produção de petróleo e gás fóssil em um número cada vez maior de países.

“Petróleo não é uma questão de oferta. É uma questão de demanda global. Enquanto houver demanda global, a Petrobras, nem as petroleiras que exploram a costa brasileira, não é uma empresa que fornece combustível, fornece petróleo para refino, para segurança energética apenas do Brasil. É uma empresa global.”

A fala de Silveira a favor da extração de petróleo na foz do Amazonas veio logo após Agostinho defender o papel do Ibama no processo de licenciamento. E repetir o que ele e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, já disseram exaustivamente: ao órgão ambiental cabe verificar o cumprimento da legislação ambiental, e não determinar a política energética brasileira.

“Neste semestre, o Ibama emitiu 50 licenças e autorizações para a Petrobras, o que significa que o Ibama não parou de licenciar a atividade de petróleo e gás, porque é uma atividade importante para o país. No caso da exploração do petróleo na foz do rio Amazonas, que é uma bacia gigantesca, o que a gente está analisando é a proposta que foi feita pela Petrobras específica naquele local. Não queremos, e não é papel do Ibama, fazer o convencimento de ninguém; nem do governador, nem do governo, de que a transição (energética) é necessária”, acrescentou.

Além de Silveira e Agostinho, estavam presentes no debate os governadores do Pará, Helder Barbalho, e do Amapá, Clécio Luís, dois estados que seriam impactados com a extração de petróleo na região. Barbalho evitou tocar no tema, mas Luís defendeu que a extração de petróleo na foz do Amazonas levaria recursos e desenvolvimento econômico para seu estado.

Vale lembrar que Luís integrou a comitiva de políticos do Amapá, formada também pelos senadores Davi Alcolumbre (União Brasil) e Randolfe Rodrigues (PT), que se reuniu com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, na semana passada. Na ocasião, atacaram o Ibama e reforçaram a pressão política sobre o órgão para liberar a exploração de combustíveis fósseis no litoral amapaense, lembra ((o))eco.

Em tempo

A culpa é do consumidor. Assim pode ser resumido o novo relatório da petroleira Total Energies sobre perspectivas energéticas. Nos dois cenários mais prováveis de transição energética traçados pela petrolífera, a demanda por petróleo vai atingir seu pico depois de 2030, contrariando projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) e nenhum deles limitará o aquecimento global a 2°C, o teto máximo estabelecido no Acordo de Paris, informa o UOL. Isso se deve principalmente ao crescimento populacional, aos investimentos lentos na rede elétrica e às vendas de veículos elétricos em todo o mundo mais lentas do que o esperado, segundo o diretor de Sustentabilidade e Estratégia da Total, Aurelien Hamelle. Ou seja, vamos morrer de calor, em inundações por causa de chuvas extremas ou sem água, mas a Total vai garantir o petróleo para “tirar o Sul global da pobreza energética”, como sugeriu Hamelle. Assim como a Petrobras, segundo Alexandre Silveira.

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