06 Novembro 2024
"Então a mascote, por si só talvez também produza com materiais de baixo impacto (assim espero), irá de qualquer forma aumentar o mercado do efêmero e, portanto, do consumismo, a produção de objetos descartáveis, que se soma aos materiais de má qualidade dos milhares de souvenirs, coroas e cartões de oração que serão vendidos aos milhões. E a sustentabilidade da Laudato Si'?", escreve Luigino Bruni, economista italiano e professor do Departamento de Jurisprudência, Economia, Política e Línguas Modernas da Universidade Lumsa, de Roma, em comentário publicado em sua página no Facebook, 04-11-2024.
Eis o comentário.
Por fim, o Jubileu também tem seu mascote, Luce, pensado pelo grande criador Simone Legno. A gestão da Deloitte, uma das maiores empresas de consultoria, corre o risco de transformar o Jubileu num grande evento, como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, com mascotes relacionados. O problema de um Jubileu com mascotes é apenas um sinal de uma tendência geral: colocar também os grandes eventos eclesiásticos na máquina organizacional global que usa a mesma lógica para todos. O próximo será a Jornada Mundial da Juventude?
Então a mascote, por si só talvez também produza com materiais de baixo impacto (assim espero), irá de qualquer forma aumentar o mercado do efêmero e, portanto, do consumismo, a produção de objetos descartáveis, que se soma aos materiais de má qualidade dos milhares de souvenirs, coroas e cartões de oração que serão vendidos aos milhões. E a sustentabilidade da Laudato Si'?

Luce, mascote do Jubileu (Foto: Divulgação)
Hoje um grande evento da Igreja deve ser concebido e realizado com a máxima atenção ética, que vai desde os temas escolhidos aos fornecedores, consultores, materiais, o impacto na cidade, o overtourism já praticado há anos em Roma e na Itália, nos céus, nas rodovias, etc. etc....
Um fato histórico. Finalmente, não esqueçamos que a crise que os jubileus e as indulgências relacionadas criaram no cristianismo renascentista não foi apenas uma questão teológica: foi também, e talvez acima de tudo, também uma crise econômica e uma relação errada com o dinheiro. Porque anunciar “boas novas” numa “má economia” não funciona. Esperemos que ainda tenhamos tempo para ajustar a mira.
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