As diretrizes do papa: empatia pelas vítimas e diálogo

Foto: Reprodução | Vatican Media

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30 Outubro 2023

Mais fácil dizer do que fazer. O papa pediu aos fiéis que tomem “apenas um lado” no conflito entre Israel e o Hamas, “o da paz”. Na noite dessa sexta-feira, concluiu-se em São Pedro um dia de oração e jejum. Na quinta-feira, ouviu-se Recep Tayyip Erdogan, que definiu Gaza como “um massacre”. O porta-voz vaticano, Matteo Bruni, especificou que o telefonema havia sido solicitado pelo presidente turco, e o papa “expressou sua dor” e desejou “que se possa chegar à solução dos dois Estados e a um estatuto especial para a cidade de Jerusalém”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada em La Repubblica, 27-10-2023. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Foram esclarecimentos necessários depois que Erodgan, na quarta-feira passada, havia definido os homens do Hamas como “patriotas”. Bergoglio e seus homens sopesam cada palavra. Seguem três diretrizes. O próprio papa moveu-se pelas vítimas de ambos os lados. Por meio do amigo Enrique Cymerman, ele organiza um encontro com os familiares de alguns reféns israelenses, telefonou para o pároco de Gaza, o religioso argentino Gabriel Romanelli, para dar conforto aos refugiados debaixo das bombas. “Há raiva no coração de todos, e é difícil até dizer uma palavra”, afirma Dom Rafic Nahra, vigário patriarcal para Israel. É melhor “fazer atos concretos de proximidade”.

A segunda diretriz é a diplomacia. O cardeal Pietro Parolin e o arcebispo Paul Richard Gallagher, que conhecem o dossiê do Oriente Médio a partir de dentro, estão muito ativos. Eles temem que o conflito se alastre e, aproveitando o Sínodo, encontraram-se com os patriarcas libaneses. A maioria dos cristãos na Terra Santa são árabes. O governo de Netanyahu acha que a Santa Sé não é equilibrada. O papa apela à libertação dos sequestrados, aprecia a persuasão moral de Joe Biden e telefonou-lhe para lhe dizer isso. O cardeal Matteo Zuppi observa: “O Hamas é o pior inimigo dos palestinos”. De Jerusalém, o patriarca Pierbattista Pizzaballa adverte: “Bombardear Gaza não resolverá nenhum problema, pelo contrário, criará novos”. O receio do papa é que a “terceira guerra mundial em pedaços” se torne uma guerra religiosa.

O diálogo é o antídoto. É a terceira diretriz. Nos últimos dias, ele recebeu o Congresso Judaico Mundial e o Memorial do Holocausto de Washington. No fim de novembro, pretende ir a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para a cúpula sobre o clima. Lá, em 2019, ele assinou com o imã de al-Azhar uma declaração sobre a fraternidade humana. Única alternativa à guerra.

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