Papa Francisco denuncia o “pecado” das guerras esquecidas

Foto: Vatican Media

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17 Outubro 2022

 

Em discurso aos redatores da revista Mundo e Missão do PIME, que comemora 150 anos de fundação, Papa Francisco falou da importância da missão e de dar voz aos oprimidos. E denunciou o "pecado" das guerras que ensanguentam há anos várias partes do mundo.

 

A reportagem é de Bianca Fraccalvieri, publicada por Vatican News, 13-10-2022.

 

A missão no centro: este foi o aspecto ressaltado pelo Papa ao receber em audiência esta quinta-feira os redatores e colaboradores da revista Mundo e Missão, publicada pelo Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME).

 

A revista foi fundada há 150 anos na região italiana da Lombardia com um espírito de modernidade, pois já promovia naquele período a “Igreja em saída” de que nos fala hoje Francisco.

 

O primeiro diretor, Padre Giacomo Scurati, e seus colaboradores compreenderam o valor de comunicar a missão, a importância de conhecer os países missionários fora da ótica colonizadora, narrando o encontro entre o Evangelho e as comunidades locais.

 

Hoje como ontem, são as periferias geográficas e existenciais, que continuam relegadas a um segundo plano. Eis então o desafio apontado por Francisco: “mostrar a beleza e a riqueza das diferenças, mas também as distorções e injustiças de sociedades sempre mais interligadas e, ao mesmo tempo, marcadas por fortes desigualdades”.

 

O pecado das guerras esquecidas

 

Trata-se de um modo de fazer jornalismo colocando-se do lado de quem não tem direito de palavra ou não é ouvido, dos mais pobres, das minorias oprimidas, das vítimas das guerras esquecidas.

 

“Isto eu quero destacar: as guerras esquecidas. Hoje todos estamos preocupados com uma guerra na Europa, às portas da Europa e na Europa, mas há anos existem guerras: há mais de dez na Síria, pensem no Iêmen, pensem em Mianmar, pensem na África. Estes não entram porque não são da Europa culta, a Europa culta… As guerras esquecidas são um pecado, esquecê-las assim.”

 

Deste modo, a revista cumpre outra sua tarefa específica: colocar a missão no centro; recordar às comunidades cristãs que se olharem somente para si mesmas, perdendo a coragem de sair e de levar a todos a palavra de Jesus, acabam por apagar-se.

 

Com efeito, partindo em missão, os missionários descobrem que o Espírito Santo chegou antes deles. “Quem partiu para evangelizar, acabou por receber uma Boa Nova.”

 

Depois de 150 anos, para o Papa esta é razão para publicar uma revista como Mundo e Missão: dar voz à esperança que o encontro com Cristo semeia na vida das pessoas e dos povos. Para dizer a todos que um mundo melhor é possível quando, seguindo Jesus, aprendemos a segurar a mão de cada irmão e irmã.

 

“Avante” foi a exortação final de Francisco, fazendo votos de que redatores e colaboradores se mantenham fiéis às raízes da revista, sempre atentos aos sinais dos tempos e abertos ao futuro de Deus.

 

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