O guardião Tanaru

Índio do buraco | Foto: FUNAI

Mais Lidos

  • "A adesão ao conservadorismo político é coerente com uma cosmologia inteira que o projeto progressista rechaça". Entrevista especial com Helena Vieira

    LER MAIS
  • Quando uma estudante de teologia desafiou o cardeal

    LER MAIS
  • Neste ano, o El Niño deve ser terrível. Artigo de Vivaldo José Breternitz

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

30 Agosto 2022

 

Homenagem ao “índio do buraco”, Tanaru, o último sobrevivente de um massacre promovido por fazendeiros e madeireiros, em Rondônia, na década de 1990. Ele foi encontrado morto no dia 24 de agosto por agentes da Funai.

 

Texto de Roberto Liebgott, coordenador do Conselho Indigenista Missionário – Cimi Sul, publicado por Sul 21, 28-08-2022.

 

Corria em meio à mata, protegia-se dos algozes, eram sempre muitos, os armados genocidas.

 

Escondia-se em buracos, útero da Mãe Terra, que se tornara o único abrigo confiável e possível, espaço de amparo, segurança e descanso.

 

Preferia às árvores, os insetos, às aves, os bichos todos ao homem branco, bruto, covarde e ganancioso.

 

Durante décadas ele ficou só, não havia ninguém mais a defender aquele lugar de ser e viver dos seus antepassados, dizimados por fazendeiros e madeireiros.

 

O corpo envelheceu e cansou, ocasião em que tomou emprestado das araras irmãs, algumas penas multicor, confeccionou a roupa ritualística de partida, construiu o tapiri, armou a rede, vestiu-se, deitou-se e adormeceu.

 

Sua missão havia sido cumprida e agora o momento será de reencontro com os ancestrais, os espíritos de luz, que festejam a chegada do seu guardião da Terra.

 

Leia mais