“Sinto que é isso”: a forma que o Papa Francisco toma as decisões

(Foto: Reprodução | Vatican News)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Julho 2022

 

O método do Papa Francisco para tomar decisões confunde alguns dos seus assessores no Vaticano, assim como os observadores de fora.

 

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix International, 18-07-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

“Eu sinto que o Senhor está me pedindo para fazer dessa forma”.

 

Essa é uma frase do Papa Francisco.

 

Em uma entrevista a um canal de televisão mexicano, que foi ao ar em 11 de julho, o papa jesuíta falou sobre o consistório de final de agosto, como ele está lidando com os problemas de saúde e o que ele está planejando para o futuro.

 

E cada vez ele usava essa frase para justificar suas decisões.

 

Referir-se o que faz ou não “ao que sente” para explicar como chega a uma decisão é uma característica de Francisco desde o início de seu pontificado. Na verdade, é a maneira espiritual que o ex-cardeal de Buenos Aires sempre decidiu as coisas.

 

“Ele ouve, reza e depois decide”, as pessoas costumam dizer sobre Francisco. “De repente ele para. Na verdade, ele está rezando”.

 

As pessoas próximas a ele dizem que foi assim que ele justificou a convocação de todos os cardeais a Roma no final de agosto, uma época altamente incomum para um evento que geralmente ocorre em novembro ou junho.

 

“Senti que precisava ser neste momento”, disse o papa de 85 anos à sua comitiva, segundo um de seus membros.

 

“Às vezes você fala com ele e de repente ele para”, disse um dos que conhece muito bem Francisco.

 

“Ele fica em silêncio por dez minutos. Na verdade, ele reza. E depois de dez minutos, ele pensa com mais clareza.”

 

Este método corresponde também às três etapas observadas por todos os superiores jesuítas em todo o mundo: consultar, rezar e decidir.

 

Por tudo isso, essa maneira espiritual de decidir as coisas confunde muitos no Vaticano. E realmente confunde quem tem uma leitura excessivamente política do homem nas decisões, reduzindo-as a um equilíbrio entre forças antagônicas, cálculos e intrigas.

 

Leia mais