Sodano, do Chile à “fofoca” sobre os pedófilos

Cardeal Angelo Sodano. (Foto: Wikimedia Commons) | Edição: IHU

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31 Mai 2022

 

Cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado no pontificado de João Paulo II, morreu na noite de 27 de maio, aos 94 anos. Seu nome está ligado a algumas das páginas mais sombrias da história recente da Igreja Romana: a viagem ao Chile de Pinochet do papa polonês que se debruçou da sacada da Moneda junto com o ditador chileno, o encobrimento de numerosos padres pedófilos, como o fundador dos Legionários de Cristo Marcial Maciel.

 

A reportagem é de Luca Kocci, publicada por Il Manifesto, 29-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Nascido na Isola d'Asti em 1927, padre em 1950, em 1959 ingressou no serviço diplomático da Santa Sé. Em 1977 foi enviado como núncio apostólico (embaixador) ao Chile, onde permaneceu até 1988. O arcebispo de Santiago Silva Enriquez - após alguma hesitação inicial - e a igreja de base chilena foram hostis ao regime militar, Sodano ao contrário escolheu a via da colaboração, defendendo mais a instituição eclesiástica do que as vítimas da ditadura e destrinchando-se entre alguns protestos moderados por crimes individuais do regime e convites à pacificação, também apoiados por Wojtyla.

 

A estratégia da distensão culminou em 1987, quando organizou a viagem de João Paulo II ao Chile, imortalizado pela foto histórica do papa que - com o engano segundo alguns - acabou na sacada da Moneda ao lado de Pinochet.

 

No ano seguinte, Sodano foi chamado de volta a Roma e a partir de 1991 ocupou o cargo de secretário de Estado do Vaticano, tornando-se um dos mais poderosos cardeais da Cúria Romana, especialmente nos anos da doença de Wojtyla, quando de fato assumiu o lugar do papa.

 

Muitos padres e bispos pedófilos devem sua impunidade a ele, que tachava de “fofocas” as acusações de abusos contra menores. A dizer-lhe a verdade na cara foi, entre outros, o então Cardeal Arcebispo de Viena, Schönborn, que recentemente falou sobre seus encontros com Sodano em que ele relatou as acusações de muitas vítimas ao Cardeal Groër, seu antecessor em Viena, no final forçado a renunciar: “Vítimas? Isto é o que você diz!”, foi a resposta de Sodano.

 

Aposentado desde 2006, Sodano viveu os últimos anos em uma luxuosa cobertura no Colégio Etíope, no Vaticano. Até algumas semanas atrás, quando foi internado por Covid e outras doenças na clínica Columbus, onde veio a falecer. O funeral será realizado na terça-feira na Basilíca de São Pedro, o Papa Francisco presidirá o rito final.

 

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