“Caro Patriarca Kirill, venha à Ucrânia buscar seus filhos mortos em nome da ‘grande Rússia’”

Arcebispo ortodoxo ucraniano Epifanij (Fonte: Wikimedia Commons)

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01 Março 2022

 

“Se não pode levantar a voz contra a agressão, pelo menos ajude a levar embora os corpos dos soldados russos que pagaram com as suas vidas pelas ideias de uma ‘grande Rússia’.” É realmente comovente, dura e firme a carta aberta do arcebispo ortodoxo ucraniano Epifanij, da Igreja Ortodoxa Ucraniana, há alguns anos em disputa aberta com o Patriarcado de Moscou, dirigida ao Patriarca Kirill no contexto do conflito armado desencadeado pela agressão de Putin à Ucrânia.

 

A reportagem é de Il Sismografo, 28-02-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

De certa forma, há tons épicos na carta, que lembram as palavras de Príamo, em Troia, quando pedia para poder recuperar e enterrar o corpo de seu filho Heitor, mediante o pagamento de um resgate (“Ilíada”, Livro XXIV).

Em seu apelo, Epifanij escreve: “Infelizmente, já está claro em suas declarações públicas anteriores que manter o compromisso de Putin e da liderança russa é muito mais importante para Vossa Beatitude do que cuidar do povo ucraniano, alguns dos quais o consideravam o seu pastor antes da guerra. Portanto, não faz sentido pedir que Vossa Beatitude faça algo eficaz para que a agressão da Rússia contra a Ucrânia pare imediatamente.”

O primaz da Igreja Ortodoxa Ucraniana confessa que tem apenas uma grande esperança: que Kirill encontre os recursos espirituais para manifestar o seu humanismo e cuidar pelo menos dos seus concidadãos.

“Estamos falando de mais de três mil militares russos mortos, cujos corpos estão no solo da Ucrânia. A liderança do nosso país já apelou à Cruz Vermelha Internacional para facilitar a recuperação e o retorno à pátria dos corpos dos soldados russos, para que os parentes e amigos possam despedi-los e sepultá-los. Infelizmente, até agora, nenhuma resposta foi recebida da parte russa”, observa o Metropolita Epifanij.

“Portanto, dirijo-me a Vossa Beatitude, chefe da Igreja Ortodoxa Russa, e lhe peço que mostre pelo menos piedade para com os seus concidadãos e para com todo o seu rebanho. Se não pode levantar a voz contra a agressão, pelo menos ajude a levar embora os corpos dos soldados russos que pagaram com as suas vidas pelas ideias da ‘grande Rússia’.”

“Que o Senhor lhe dê força espiritual pelo menos para isso, sobretudo hoje, domingo, dia em que recordamos o Juízo Final!”

 

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