Antropologia cristã pode renovar o Ocidente, afirma o chanceler do Vaticano

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20 Abril 2021

 

É um momento difícil e incerto no Ocidente, quando a visão de que homem é, para que ele é, está sendo questionado, e as respostas propostas pela sociedade são “míopes”, disse o chanceler do Vaticano.

Em uma entrevista à revista Le Sfide, o arcebispo Paul Gallagher disse que ele está “cautelosamente otimista” sobre o futuro do Ocidente, e tem a sua melhor sorte se baseada sobre uma visão cristã de humanidade.

A reportagem é de Hannah Brockhaus, publicada por CNA, 16-04-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Eu não acredito que a visão antropológica que quer ser afirmada na Europa será uma fonte de renovação espiritual do homem”, afirmou o secretário de relações com os estados.

“Eu não vejo isso como uma inspiração vital, mas como uma opção pragmática que permite as pessoas a falarem a si que tem uma visão, que eles precisam encontrar um caminho”, continuou.

De acordo com o bispo inglês, a visão de homem sendo proposta “pode oferecer respostas para certas necessidades individuais, mas isso não nos faz mais humanos. Isso consegue, no momento, um sucesso efêmero que não ultrapassa este tempo”.

“A visão antropológica cristã, por outro lado, é muito mais dinâmica e está em conformidade com a realidade”, ele defendeu.

Na entrevista, Gallagher falou sobre a definição de “Ocidente” não como uma união de certas nações, mas como um “sistema de valores”. Ele disse hoje que há alguma confusão sobre quais são esses valores.

“Hoje, alguns políticos europeus apoiam e promovem uma visão de homem, um conceito antropológico, inteiramente impresso no presente e suas necessidades”, afirmou, chamando a visão de “míope”.

“Nós não podemos aceitar a ideia de que seguir por esse caminho resolverá todos os problemas”, afirmou.

Neste tempo de declínio ocidental, o arcebispo explicou que é importante para a sociedade renovar sua “compreensão das múltiplas realidades a que somos chamados a confrontar”.

“Há problemas profundas afetando diferentes visões e sistemas morais que nós não podemos esconder, apenas para satisfazer as tendências do momento”, disse, apontando que este é um momento de dificuldade não apenas para o Ocidente, mas para todo o mundo.

“Esse é um dos principais desafios para Igreja hoje”, ele afirmou. “Nessas trocas com outras autoridades, com governos e também com escolas de pensamento, nos encontramos cada vez mais em dificuldade em confrontar ‘nossa’ visão antropológica com a de ‘outros’”.

Gallagher lamentou que os católicos no Ocidente hoje pareçam mais tímidos em compartilhar sua fé em público, mas disse que ele tem “esperança e fé”.

“Tenho um otimismo que me leva a acreditar que, com o devido empenho, podemos voltar a subir”, afirmou.

“Quando há dificuldade de se renovar, assume certa tendência que leva a olhar para as coisas do presente, em sua imediação, horizontalmente, e deixa de coletar as riquezas e a diversidade das correntes de pensamento das tradições espirituais que, pelo contrário, podem contribuir para a renovação de cada época”, afirmou.

 

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