A Igreja deve expiar por seus pecados de abuso, afirma Hans Zollner, SJ

Mais Lidos

  • “Precisamos mudar a lente das instituições e olhar para essas ocorrências com a gravidade de fato que elas têm”, alerta a pesquisadora

    Lei Maria da Penha. 20 anos depois. Entrevista especial com Juliana Brandão

    LER MAIS
  • A Igreja deve usar os algoritmos sem se deixar algoritmizar. Entrevista com Arnaldo Rodrigues

    LER MAIS
  • “O ataque contra pessoas trans aponta para um projeto potencialmente genocida”. Entrevista com Judith Butler

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

20 Outubro 2020

O padre jesuíta Hans Zollner, presidente do Centro de Proteção à Criança, da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, acusou a Igreja de não assumir a responsabilidade por seus pecados.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por The Tablet, 19-10-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Falando em um encontro em Bonn organizado pela Kommission für Zeitgeschichte – Comissão Alemã de História Contemporânea – intitulado “Espaços sombrios: a Igreja e o abuso sexual”, o especialista em abusos disse que não consegue perceber um senso claro de responsabilidade e responsabilização na Igreja e perguntou-se por que isso acontece. Será que a Igreja é incapaz de atribuir-se tarefas claras e assumir responsabilidades? perguntou-se Zollner.

O religioso questionou também por que a Igreja pede que católicos confessem seus pecados e os expiem, mas a própria Igreja, enquanto instituição, não o faz.

O religioso admitiu que a Igreja está mudando, porém essa mudança está sendo lenta demais. Esse mesmo procedimento, de negar e se recusar a vir a termos com os casos de abuso sexual clerical, faz-se presente ainda nas comunidades católicas ao redor do mundo, ao que acrescentou: “Muitas vezes os líderes religiosos só reagem se pressionados por alguém de fora [o mundo secular]”.

Na assembleia plenária da Conferência Episcopal Alemã ocorrida mês passado, Zollner enfatizou que, no futuro, aqueles se forem os responsáveis, de alguma forma, por casos de abuso sexual precisarão se retirar dos cargos ocupados. “Talvez precisemos forçar renúncias usando a pressão pública. O certo é que vai acontecer. Aquele que incorrer em culpa é responsável e deve aceitar a sua responsabilidade”, disse.

A Igreja não é um mundo particular por si própria; ela deve pedir e publicar os nomes. “Quem torna possível os abusos? Quem é o responsável? Quem impede os outros de agirem com responsabilidade e relatarem os casos de abuso?” são perguntas que precisam de repostas.

Leia mais