Bannon. Como os bispos simoníacos

Steve Bannon | Foto: Nordiske Mediedager | Flickr CC

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26 Agosto 2020

"Na esteira dos bispos simoníacos que traficavam indulgências, esse indivíduo, não sendo suficiente para ele o rio do dinheiro (dos ricos, não dos pobrezinhos) que financia o novo fascismo mundial, vendia aos fiéis pedaços do fantasmagórico Muro de Trump para que pudessem salvar suas almas blindando sua polegada quadrada de Paraíso USA", escreve Michele Serra, jornalista, escritor e roteirista italiano, em comentário publicado por La Repubblica, 25-08-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o comentário.

É preciso reconhecer que ser preso por fraude enquanto se desce do iate de um bilionário chinês não é algo para todo mundo.

E se o preso for um indivíduo que construiu sua fama na luta contra o establishment que reduz à fome o povo, o crime de fraude brilha com uma brutalidade única.

Como alguém em jejum pego num all you can eat, como uma virgem que revela que tem doze filhos, Steve Bannon nos faz entender que toda a ladainha antiplutocrática da direita populista é um clamoroso caso de simulação. Na esteira dos bispos simoníacos que traficavam indulgências, esse indivíduo, não sendo suficiente para ele o rio do dinheiro (dos ricos, não dos pobrezinhos) que financia o novo fascismo mundial, vendia aos fiéis pedaços do fantasmagórico Muro de Trump para que pudessem salvar suas almas blindando sua polegada quadrada de Paraíso USA.

Uma isca para pobres tolos amedrontados, cujos lucros, segundo a acusação, não eram usados para comprar concreto, mas para financiar o próprio Bannon, cuja vida inteira se desenrolou, com fortunas alternadas, na antessala do famoso establishment, basta ver o rocambolesco caso da magnífica igreja do século XIII que o ideólogo gostaria de transformar na Academia do Ocidente Judaico-Cristão, não se sabe se para promover guerra aos mouros ou ao Imu (impostos). O ódio de classe sempre existiu, tem sua própria fisiologia e até sua legitimidade ética.

Mas aproveitá-lo para o sucesso pessoal, inclusive econômico, é muito nojento. Quatro quintos dos ideólogos e agitadores do populismo mundial odeiam o establishment apenas porque não conseguem fazer parte dele.

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