Paolo Ruffini, primeiro leigo nomeado prefeito na Cúria Romana

Paolo Ruffini (Fonte: Vatican Insider)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Julho 2018

Seu pai, Attilio, antifascista e democrata-cristão, foi ministro em várias ocasiões. Seu “tio-avô” foi arcebispo de Palermo, nomeado por Pacelli, e membro do sacro Colégio de 1945 a 1967. Paolo Ruffini, casado, jornalista e diretor de rádio e de redes de televisão (Rai3 e Tv2000), por vontade do Papa Francisco, tornou-se o primeiro leigo encarregado de um Dicastério da Cúria Romana. O dicastério para a comunicação, para o qual Ruffini foi nomeado Prefeito, é um organismo novo que incorpora e coordena todos os meios editoriais, de informação, comunicação e multimídia da Santa Sé. Além disso, há tempo era o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 05-07-2018. A tradução é do Cepat.

Com a nomeação de Ruffini para um dos organismos vaticanos mais significativos (quanto ao número de pessoas que nele trabalham), dá-se um passo completamente novo na história da Santa Sé, que até agora só havia encarregado um leigo para a vice-presidência da Pontifícia Comissão para América Latina, o professor Guzmán Carriquiry, que era o “número três” do velho Pontifício Conselho para os Leigos. Pela primeira vez, pois, um homem casado, nem bispo, nem sacerdote, assume um posto equiparável ao dos cardeais e arcebispos dos dicastérios, ou seja, os “ministros do Papa e seus colaboradores na Cúria.

“Quais são as razões desta decisão de Francisco? O Papa pôde conhecer e apreciar o trabalho do novo Prefeito durante os anos que passou pela Tv2000 (o próprio Ruffini, com Lucio Brunelli, diretor do telejornal do canal dos bispos, entrevistou o Papa Francisco por ocasião do encerramento do grande Jubileu extraordinário da Misericórdia, em novembro de 2016). O currículo de Ruffini diz tudo: jornalista, especialista em televisão, foi o diretor do canal Rai3, durante os anos em que o canal três da rede pública de televisão italiana produziu alguns dos melhores programas. São famosas suas capacidades e competências no âmbito comunicativo.

A característica mais oculta, porque somente o conhecem aqueles que tiveram a possibilidade de trabalhar com Ruffini, é sua capacidade de escutar e dar valor a todos, incluindo, sem nunca excluir. Um traço humano inconfundível de uma pessoa cristalina. Não é por acaso que no dia 5 de julho, ao meio-dia, quando a nomeação foi divulgada no Vaticano, haviam diferentes colaboradores, jornalistas e técnicos com lágrimas nos olhos pela emoção, nos estúdios da Tv2000.

Os meios de comunicação vaticanos estão vivendo uma transição nada fácil: o caminho da reforma empreendida pelo Prefeito anterior, monsenhor Dario Viganò (que renunciou depois do incidente da carta de Bento XVI, divulgada parcialmente, mas a quem Francisco manteve com o papel de “assessor” do dicastério), ainda precisa ser concluída. Não faltaram tensões e incompreensões. A chegada de uma pessoa que teve que se ocupar de postos de responsabilidade e que soube trabalhar bem com todos os seus colaboradores, dando valor às capacidades de cada um, representa uma decisão importante, distante da mentalidade empresarial e funcionalista que às vezes também parece contagiar a Igreja, quando segue modelos de grandes empresas e acaba dando por descontado o conteúdo do que comunica.

Leia mais