Papa: ''São José não foi ao psiquiatra, mas acreditou''

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Dezembro 2017

Francisco em Santa Marta lembra como o pai adotivo de Jesus, exemplo de homem que nada toma para si, “se encarregou de uma paternidade que não era dele: vinha do Pai”.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada no sítio Vatican Insider, 18-12-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele é aquele que cria, como pai, o Filho de Deus e o acompanha até a maturidade. São José é o sumo exemplo de um homem que nada toma para si mesmo. Foi o que o Papa Francisco lembrou e ressaltou na missa da manhã dessa segunda-feira, 18 de dezembro de 2017, na Casa Santa Marta. O pontífice também apontou que o pai adotivo de Jesus “não foi ao psiquiatra”, mas acreditou no Senhor.

O bispo de Roma – relata o site Vatican News – exorta, quando se enfrentam problemas, angústias, períodos obscuros, a aprender com São José, que sabe “como caminhar no escuro, como se escuta a voz de Deus, como se segue em frente em silêncio”.

Francisco diz isso ao comentar o Evangelho de Mateus, no qual se lê sobre Jesus que nascerá de Maria, noiva de José. O papa repassa as emoções de José quando, em Nossa Senhora, começam a ser “visíveis” os sinais da maternidade: as “dúvidas” do homem, a “dor”, o “sofrimento”, enquanto começam a circular “as fofocas do vilarejo”.

José “não entendeu”, mas é certo que a sua esposa é “uma mulher de Deus”, por isso decide “deixá-la em silêncio”. Não a acusa “publicamente”. E, em certo ponto, “o Senhor intervém”: com um Anjo, em sonho, que lhe ilustra como a criança “gerada nela” vem “do Espírito Santo”. São José não tem dúvidas: “Acreditou e obedeceu”.

O carpinteiro luta dentro de si mesmo; e, nessa batalha interna, eis a voz de Deus: “Levante-se – aquele ‘levanta-se’, tantas vezes no início de uma missão, na Bíblia: ‘Levante-se!’ –, pegue Maria, leve-a para a sua casa. Encarregue-se da situação: tome essa situação nas mãos e vá em frente”.

São José não busca os amigos para desafogar e pedir sugestões, não vai “ao psiquiatra para interpretar o sonho... Não: ele acreditou. Foi em frente. Tomou a situação nas mãos”. Mas o que “José devia tomar nas mãos? Qual era a situação? De que José devia se encarregar? De duas coisas. Da paternidade e do mistério”.

São José, portanto, deve “encarregar-se” da paternidade do Filho do Senhor. E isso já se intui na “genealogia de Jesus”, na qual fica claro como “se pensava que ele era o filho de José: ele se encarregou de uma paternidade que não era dele: vinha do Pai. E levou em frente a paternidade com aquilo que ela significa: não só sustentar Maria e o menino, mas também criar o menino, ensinar-lhe a profissão, levá-lo à maturidade de homem. ‘Encarregue-se da paternidade que não é tua, é de Deus’”. E isso “sem dizer uma palavra. No Evangelho, não há nenhuma palavra dita por José. O homem do silêncio, da obediência silenciosa”.

Além disso, ele também é o homem que “toma nas mãos” o mistério: o de “levar o povo de volta a Deus, da re-Criação”, que, como afirma a Liturgia, é “mais maravilhosa do que a Criação”.

Francisco acrescenta: José “toma nas mãos esse mistério e ajuda: com o seu silêncio, com o seu trabalho até o momento em que Deus o chama para si”. Desse homem “que se encarregou da paternidade e do mistério, diz-se que era a sombra do Pai: a sombra de Deus Pai. E se Jesus aprendeu a dizer ‘papai’, ‘pai’, ao seu Pai que ele conhecia como Deus, ele aprendeu isso a partir da vida, do testemunho de José: o homem que guarda, o homem que faz crescer, o homem que leva em frente toda paternidade e todo mistério, mas não toma nada para si”.

Leia mais