Choque do petróleo reforça urgência da transição energética

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26 Junho 2026

Retorno de alguns países ao carvão é apenas uma solução temporária, frisa Liu Zhenmin, enviado especial chinês para mudanças climáticas.

A informação é publicada por ClimaInfo, 25-06-2026. 

O acordo entre Estados Unidos e Irã para estancar o conflito no Oriente Médio e liberar o tráfego de combustíveis fósseis no Estreito de Ormuz acalmou o mercado mundial de petróleo. O preço da commodity já está bem próximo dos valores registrados antes da guerra, iniciada em 28 de fevereiro, informa a CNN Brasil. Mas o abalo econômico causado por um embate que durou cerca de quatro meses causou uma crise de energia sem precedentes na história. E escancarou os riscos imensos dos combustíveis fósseis à segurança e à soberania energética das nações.

Assim, a escassez de petróleo e gás fóssil provocada pela guerra deve servir de lição para que os países acelerem a transição energética, disse Liu Zhenmin, enviado especial da China para mudanças climáticas, em um evento do Fórum Econômico Mundial em Dalian. Embora algumas nações tenham respondido à escassez voltando a usar carvão, essa é apenas uma solução temporária, frisou.

Zhenmin afirmou que outros países poderiam olhar para a China, que possui parques eólicos e solares de ponta, além de frotas de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de baterias. No entanto, o país também é o maior produtor (e consumidor) de carvão do mundo, e possui uma enorme reserva de petróleo, lembra a Bloomberg.

Apesar de ser o maior importador mundial de petróleo e gás, a China conseguiu proteger seus consumidores da escassez durante o longo período de fechamento do Estreito de Ormuz. Zhenmin contrastou essa situação com a da Índia, onde a falta de combustíveis, incluindo gás de cozinha (GLP), gerou protestos públicos e prejuízos para as refinarias locais, que tiveram que absorver grande parte dos aumentos de preços para proteger os consumidores.

Não à toa, a eletrificação ganha força. Anfitriã da COP31, a Turquia propôs em Bonn na semana passada que os países assumam uma meta de eletrificar 35% do consumo energético até 2035. A proposta foi reforçada pelo país na Semana da Ação Climática de Londres, que termina neste fim de semana.

Também em Londres, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, ressaltou que a atual crise energética impulsionará a eletrificação global. “Muitos governos estão revendo suas estratégias, políticas, parcerias e escolhas tecnológicas no setor energético”, disse Birol.

 

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