Uma mobilização nacional – e cultural – para manter a Amazônia de pé

Foto: Andre Deak | Flickr

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05 Setembro 2024

Movimento composto por mais de 350 organizações da sociedade civil realiza virada cultural nos dias 5 a 8 de setembro e traz para o holofote o tema das florestas públicas não destinadas.

A reportagem é de Duda Menegassi, publicada por (O)Eco, 04-09-2024.

Na quinta-feira, 5 de setembro, junto ao Dia da Amazônia, terá início a Virada Cultural Amazônia de Pé 2024. Organizado pelo movimento Amazônia de Pé, o evento, que se estende até o dia 8 de setembro, trará cerca de 300 atividades culturais com ativistas e organizações socioambientais em todo o Brasil. A programação inclui desde apresentações artísticas, até oficinas e debates. No centro de todas elas: a maior floresta tropical contínua do mundo e a luta para mantê-la de pé.

Já em sua terceira edição, a virada terá como tema a proteção das Florestas Públicas Não Destinadas da Amazônia. Atualmente, existe um território com o tamanho equivalente ao estado da Bahia – 49,5 milhões de hectares – de florestas preservadas sob domínio público, porém sem nenhuma destinação específica, como a transformação em unidades de conservação, Terra Indígena, Território Quilombola ou mesmo formalmente transferida a proprietários particulares através da regularização fundiária. Deixadas de lado pelo governo, estas florestas são especialmente vulneráveis a crimes como invasão e ocupação irregular, desmatamento e fogo.

As ações cadastradas na Virada Cultural podem ser conferidas online.

O movimento Amazônia de Pé é composto por mais de 20 mil ativistas e 350 organizações da sociedade civil. O grupo planeja ainda a entrega de uma carta, em nome de seus membros, para os ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Paulo Teixeira. O documento será entregue às autoridades na Cúpula Social do G20, em novembro, no Rio de Janeiro.

O objetivo da carta é reivindicar que as negociações da COP30, que será realizada em Belém no ano que vem, incluam vozes e demandas de movimentos populares do país, populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas, além de fazer um apelo pelo avanço na agenda da destinação das florestas públicas.

“As comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas que habitam essas áreas são as principais guardiãs da floresta, estando na linha de frente no combate à crise climática. Portanto, é fundamental que o governo reforce a proteção dessas populações e de seus territórios, assegurando que a destinação das florestas públicas seja feita de forma justa e inclusiva”, defende trecho da carta que será entregue aos ministros.

Ativista climática amazônica e gestora no movimento, Karina Penha faz eco ao documento e reforça a importância da virada cultural. “De um lado, celebramos as culturas amazônidas e toda sua riqueza de identidades, cosmovisões e expressões artísticas. De outro, denunciamos os ataques contra a floresta, seus povos e o clima. É uma data de luta e resistência dos povos que resistem há séculos no território, e que cada vez mais convocam o apoio de brasileiros de todos os biomas”, afirma.

Diretora da Amazônia de Pé, Daniela Orofino completa que é fundamental que o Brasil entenda que o que acontece na Amazônia não fica só na Amazônia. “Quando a floresta é derrubada, isso afeta cidades de todo o país, de Norte a Sul. A gente sente no preço da comida, na conta de energia, na falta de água, nas ondas de calor, nas secas e enchentes extremas. Por isso, é tempo de ação coletiva: brasileiros e brasileiras de todos os cantos precisam somar forças com a luta dos povos ancestrais e levar o debate sobre Amazônia e clima para redes, praças, ruas e rios de todo o país. E a cultura é fundamental para esse tipo de organização e mobilização”, pontua a diretora.

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