Propor uma educação autêntica e educar para o humanismo. Artigo de Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves

Foto: Canva Pro | Pexels

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Julho 2024

"Assim, se faz necessário, uma transformação na educação, só será possível diante de uma renovação entre as gerações. Por isso, é urgente escutar os ensinamentos de Cristo, que se coloca como servo. Ele é o Educador que nos dá a condição de aprender com nossas realidades e em nossos contextos, ou seja, observando a realidade de cada um", escreve Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves, teólogo, filósofo e professor. Robson é formado em História, Filosofia e Teologia, áreas nas quais trabalha como professor em Juiz de Fora (MG).

Eis o artigo.

Vivemos um período de grandes transformações: sociais, econômicas, políticas e educacionais. O ser humano se vê, diante de tantas situações, desnorteados. Neste contexto, somos chamados a nos colocar no processo de reinvenção do cotidiano. Um mundo realmente novo só será possível sob a condição de sermos responsáveis por ajudar a construir a mudança que esperamos e de ousar em construir, neste mundo, um bom lugar para se viver.

Para tanto é necessário ter cuidado com a vida, respeitar o próximo e, principalmente, o às gerações. Uma conduta moral duvidosa, sem apreço à vida, nos leva a deixar de vivenciar os melhores momentos. Por isso, ter esperança, ou esperançar, é ter iniciativa, é ir ao encontro, é buscar ouvir os que mais precisam.

Em tempos de um contexto em que o ser humano é descartável vivemos relações que só visam o lucro. O Papa Francisco, na Encíclica Laudato si’ sobre o cuidado com a casa comum, ou seja, o cuidado com o planeta e todos os seres que vivos, nos apresenta a preocupação com o modo como a humanidade vive hoje sob o poder tecnológico e que o ser humano se tornou um mero objeto a ser possuído, dominado e consumido pelo poder (cf. LS, 106).

É preciso, urgentemente, se fazer ouvir e articular o maior crescimento da consciência humana sobre o que é ser humano e a sua relação com a educação.

Por isso, pensar em um eficiente processo educacional só será possível diante de uma Educação Integral do Indivíduo e sua real importância para a construção de seres humanos mais humanos. A Educação Integral deve ser assumida por todos e por todas, principalmente com o foco no processo formativo de crianças, jovens e adultos. Tudo isso deve ocorrer em uma grande sintonia para colaborar nos processos de aprendizagens que atuam dentro e fora da escola, nas casas e em todos os locais, colaborando assim na formação integral do ser humano.

Jesus deve ser nosso exemplo a ser seguido pela sua ética, pelo seu comportamento, costumes, hábito, caráter, modo de ser e de agir. Jesus assumiu sua conduta autêntica em uma sociedade contrária a tudo que ele pregava. Ele veio transformar o mundo, a começar pela sociedade de sua época; desejava fazê-la refletir e mudar seu posicionamento frente ao legalismo exacerbado. Assim, tratar o próximo com respeito é fazer valer o amor criador de Deus e sua proposta de vivência para o ser humano. Jesus nos mostra o que fazer: “O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a mim o fazeis”. (Mt 25,40).

Assim, se faz necessário, uma transformação na educação, só será possível diante de uma renovação entre as gerações. Por isso, é urgente escutar os ensinamentos de Cristo, que se coloca como servo. Ele é o Educador que nos dá a condição de aprender com nossas realidades e em nossos contextos, ou seja, observando a realidade de cada um.

Sendo assim, somos convocados a refletir sobre a nossa vocação à solidariedade que nos dá condições de refletir sobre a realidade humana, seu contexto e, principalmente, os desafios da convivência multicultural.

Para tanto, é preciso se comprometer com a cultura do encontro e do diálogo como nos apresenta a Congregação para a Educação Católica em seu documento “Educar ao Humanismo Solidário” ao afirmar que cultura do diálogo ocorre em um quadro ético de requisitos e atitudes formativas, bem como de objetivos sociais. Os requisitos éticos para dialogar são a liberdade e a igualdade, ou seja, os participantes do diálogo devem estar livres de seus interesses e dispostos a reconhecer a dignidade de todos. Por isso, não é uma voz que se sobressai às demais, mas todos temos que seguir adiante e aprender a escutar, ouvir o próximo.

Destarte, para se pensar em uma educação para o humanismo solidário é preciso compreender a responsabilidade de assumir a formação de homens e mulheres para uma coerente cultura do diálogo. Sendo assim, dotados dessa responsabilidade é urgente pensar que os projetos de formação da educação para o humanismo solidário têm por foco principal a ação consciente de cada um na construção do humanismo solidário e que haja uma verdadeira inclusão de todos nesta realidade.

Desta forma precisamos observar o caminho que seguimos e os exemplos que podemos dar em nossa realidade. Entre eles temos que ter por foco buscar sempre alimentar o desejo de uma sociedade mais humana e exercitar o amor ao próximo por meio de gestos de solidariedade. Além disso, comprometer-se com o meio ambiente com iniciativas de uma Educação Integral, promovendo o ser humano a assumir a sua responsabilidade socioambiental e, diante da necessidade, se colocar ao serviço a todos. Para que isso ocorra é preciso promover uma educação inclusiva para que se possa resgatar com justiça e dignidade todas as pessoas que sofrem e necessitam de apoio. Para tanto, falar com sabedoria e ensinar com amor é a proposta de um caminho de diálogo coerente com o que se vive nas esferas social e educacional.

Leia mais