Laurent Ulrich, arcebispo de Paris: o ensino sobre a homossexualidade “é reflexo de uma época”, é preciso revisá-los

(Foto: Mory Hugo | Wikimedia Commons)

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20 Dezembro 2022

O novo arcebispo de Paris deu recentemente uma entrevista na qual reconheceu que a Igreja precisava reconsiderar seu ensino sobre a homossexualidade e apontou o caminho a seguir sobre como isso pode acontecer.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 17-12-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Questionado sobre como algumas pessoas que são marginalizadas pela Igreja podem encontrar seu lugar nela, dom Laurent Ulrich, que foi nomeado arcebispo de Paris em abril, disse ao La Croix International:

Em sua exortação sobre a família, Amoris laetitia , o papa pede que possamos considerar todas as pessoas onde elas estão. Este trabalho pode não estar acontecendo em todos os lugares, mas existe. É responsabilidade pastoral de todos. Quanto à homossexualidade... Foi descrita em 1992 como atos ‘intrinsecamente desordenados’; é reflexo de uma época. Trinta anos depois, devemos, sem dúvida, voltar a ela com maior respeito. Além do cuidado pastoral, é o papa quem é o mestre da evolução do catecismo”.

Ulrich não é o primeiro líder da igreja a identificar a necessidade de a Igreja revisar seu ensino sobre sexualidade, especificamente a linguagem de “intrinsecamente desordenada”, que é considerada desrespeitosa e pastoralmente prejudicial por tantos católicos. De fato, seus bispos vizinhos na Alemanha aderiram ao Caminho Sinodal insistindo em tal evolução.

Menos claras, no entanto, têm sido as propostas de como essa reconsideração acontece. Ulrich oferece um ponto importante sobre como essa revisão pode proceder: os ensinamentos sobre homossexualidade no atual Catecismo “refletiam uma época”. Esse reconhecimento de que o tempo muda e que as formulações de doutrina em uma era podem não se adequar a outra é o que levou a Igreja a desenvolver muitas de suas doutrinas ao longo dos séculos.

Hoje, o ensino sobre a homossexualidade e sexualidade e gênero em geral devem refletir a linguagem e o conhecimento da era contemporânea. Defensores LGBTQIA+ e teólogos insistem há décadas na necessidade de tal desenvolvimento. É esperançoso ver muitos líderes da Igreja, como dom Ulrich, admitindo isso também.

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