Capitalismo e militarização do mundo. Artigo de Jorge Alemán

Fonte: Flickr

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Julho 2022

 

“O capitalismo em sua essência é uma máquina acelerada que nenhum desastre, seja ecológico, sanitário ou militar, pode frear. Em todos os cenários, nos mais horrendos, o mercado pode continuar e a redução da vida à equação custo-benefício também”, escreve Jorge Alemán, psicanalista e escritor, em artigo publicado por Página/12, 10-07-2022. A tradução é do Cepat.

 

Eis o artigo.

 

Já se sabe que o futuro não constitui enigma algum. A prova é que qualquer série distópica acerta em seus prognósticos. A partir do momento em que a imaginação política não pode mais conceber uma sociedade pós-capitalista e de um modo veraz dar conta da saída dessa ordem de dominação, o mundo parece se dividir apenas entre os que aceleram a destruição e os que tentam preveni-la. Aqueles que mantêm uma atitude preventiva frente à catástrofe potencial em que se vive vão perdendo a batalha frente aos que aceleram a catástrofe.

 

Na medida em que esse confronto ocorre dentro do capitalismo, no que poderíamos chamar de seu ecossistema, é difícil vencer a batalha contra a aceleração. O capitalismo em sua essência é uma máquina acelerada que nenhum desastre, seja ecológico, sanitário ou militar, pode frear. Em todos os cenários, nos mais horrendos, o mercado pode continuar e a redução da vida à equação custo-benefício também. Portanto, o célebre freio de mão defendido pelas esquerdas e os movimentos populares e nacionais continuarão funcionando cada vez mais acentuadamente de um modo intermitente, no interior de um regime existencial de direitas.

 

Assim como a pandemia não freou a deriva capitalista, agora a guerra é o novo cenário. Uma cena que consegue mimetizar com o próprio capitalismo. Pela primeira vez, o mundo se envolve com algo cujo limite é desconhecido, não se sabe para onde conduz, nem qual é o seu final.

 

O foco aparente do grave conflito militar entre Ucrânia e Rússia nada mais é do que a localização de uma guerra no mundo entre aqueles que estão em condições de disputar a dominação mundial do capitalismo: os Estados Unidos e a China. O imperialismo norte-americano, com sua terrível histórico de massacres mundiais, e a expansão tecnológica comercial chinesa, cujo ponto de realização é uma exploração material do mundo, sem se interessar, em razão de sua própria história, pela colonização cultural. Em princípio, esse seria seu principal limite nessa disputa.

 

Por tudo isso, a grande questão é como, por um lado, mantém-se o freio de mão que impede a ruína dos Estados que ainda assumem suas responsabilidades frente aos setores espoliados e, por sua vez, qual é o ponto de fuga, o novo grande êxodo de uma ordem para a qual agora só resta a guerra mundial para prosseguir sua marcha.

 

A “racionalidade” das medidas que sirvam para a manutenção do freio de mão, distribuição da riqueza, salários universais etc., não deve temer ser acompanhada de um mito salvífico de natureza emancipatória.

 

Capitalismo: crime perfeito ou emancipação.

 

Leia mais