Pandemia e a guerra. Qual das duas é a pior?

Fonte: Unsplash

Mais Lidos

  • Aumento dos diagnósticos psiquiátricos na infância, sustentado por fragilidades epistemológicas e pela lógica da detecção precoce, contribui para a medicalização da vida e a redefinição de experiências comuns como patologias

    A infância como problema. Patologização e psiquiatrização de crianças e adolescentes. Entrevista especial com Sandra Caponi

    LER MAIS
  • A visita de Rubio ao Papa foi marcada por sorrisos e desentendimentos: confrontos sobre Cuba e Irã

    LER MAIS
  • Leão XIV: o primeiro ano de um papa centrista. Artigo de Ignacio Peyró

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Mai 2022

 

Das duas pragas trágicas recentes, a pandemia e a guerra, a mais próxima fisicamente de nós é a primeira, que não tem fronteiras, não se limita a uma única localização geográfica, e atingiu todos os lugares, casa por casa.

 

O comentário é do jornalista, escritor e roteirista italiano Michele Serra, publicado por la Repubblica, 07-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Covid, em sua fase mais mortífera, aquela pré-vacina, não estava apenas nos noticiários, estava nos nossos corpos. A experiência direta da morte na guerra, para nós italianos, continua ligada a poucos corajosos repórteres, a da morte de amigos e parentes por Covid tocou milhões de pessoas.

 

No entanto, depois de quase três meses desse duplo revés na chamada vida normal, e depois de tantas discussões, leituras, reflexões, a que mais me pesa, a mais perturbadora, a mais inaceitável, é a segunda. Porque a guerra depende, em todos os aspectos, do homem, que é seu artífice, que a cria e a move, às vezes nos enriquece. Enquanto o vírus é um pedaço da natureza que nos derruba, uma partícula externa a nós que nos agarra, como as pragas de todas as épocas. Podemos odiá-lo, mas não podemos nos sentir culpados, não fomos nós, por nossa vontade, que o desencadeamos.

 

A guerra, por outro lado, sim. Nós carregamos toda a culpa, uma palavra que sempre uso a contragosto porque cheira a contrição e penitência. Mas neste caso não encontra substitutos, a guerra é uma escolha do homem, são os homens que a querem e a infligem, não temos nenhum álibi que possa nos aliviar. Somos - entre outras coisas, felizmente - aquele macaco cruel e muitas vezes sádico. Sim, a guerra definitivamente me aflige e me horroriza muito mais, mesmo que eu não tenha mais idade para o front, e em vez disso estou alcançando rapidamente aquela que me qualifica como paciente de risco.

 

Leia mais